Ódio nas redes sociais: Ventura diz que há policias a serem questionados nas esquadras sobre ligações ao Chega e quer levar caso “à Europa”

Líder do Chega falou aos jornalistas na Assembleia da República e afirmou estar em curso “uma perseguição” à classe policial.

Pedro Zagacho Gonçalves

André Ventura comentou esta quinta-feira as reportagens da SIC e do Consórcio de Jornalistas que denunciaram mensagens com apelos à violência, de cariz, xenófobo, misógino, homofóbico e racista, feitas por elementos das forças de segurança (PSP e GNR) em grupos fechados nas redes sociais, e denunciou que já há policias a serem questionados sobre a sua possível ligação ao Chega.

O presidente do partido de extrema-direita, começou por admitir que “a imprensa fez o seu papel, ontem”. “Mas não podemos permitir que o Governo aproveite essa onda para agora ir perguntar aos polícias de são simpatizantes do Chega, ou militantes, e lançar inquéritos sobre as suas carreiras”, declarou.

O líder do Chega garante que tem informações “que já começaram a ser questionados polícias dentro das suas esquadras sobre aproximações ao Chega e à sua militância” no partido de Ventura. “E isto é gravíssimo é perseguição aos polícias”, considerou o político.

Ventura diz que “o que está a acontecer é um saneamento, uma perseguição à classe policial”, e admite tomar medidas perante as mais altas instâncias europeias sobre o caso. “Vamos levar à Europa esta situação, os polícias são cidadãos com direitos”, defendeu o líder do Chega.

“Quanto a comportamentos e de ameaças, de ódio ou de racismo, merecem todos a nossa veemente condenação. Quando à sua participação política, têm exatamente os mesmos direitos que todos nós temos, de poder ser do Chega, de A, B ou C”, considerou Ventura, que ressalvou “até porque o chega é que tem defendido os seus direitos”, afirmou sobre esta classe policial.

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Segundo as reportagens divulgadas, são 591 os nomes que contam de uma lista de operacionais das forças de segurança portuguesas que um grupo de investigadores digitais acompanhou durante um ano, em grupos nas redes sociais, onde elementos da PSP e GNR apelam à violência contra políticos, criminosos, jornalistas e figuras públicas.

Na lista de quase 600 elementos das forças de segurança, constam referências a figuras de relevo e responsáveis de várias estruturas sindicais da PSP e da GNR. São exemplos Peixoto Rodrigues, do Sindicato Unificado da Polícia, bem como Carlos Flor, Carlos Miguel Monteiro ou Carlos Camacho Matos, da mesma estrutura sindical.

Não é caso único no que diz respeito a membros de estruturas sindicais das forças de segurança. Luís Maria é membro da Organização Sindical dos Polícias (OSP/PSP) e surge na lista, tal como Rui Mota Sousa, da APG/GNR, ou Rui Neves, presidente do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia, bem como elementos da ASPP/PSP.

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