Quase 600 PSP e GNR apanhados em rede onde apelam a violência contra políticos, jornalistas e criminosos

São 591 os nomes que contam de uma lista de operacionais das forças de segurança portuguesas que um grupo de investigadores digitais acompanhou durante um ano, em grupos nas redes sociais, onde elementos da PSP e GNR apelam à violência contra políticos, criminosos, jornalistas e figuras públicas.

Pedro Zagacho Gonçalves

São 591 os nomes que contam de uma lista de operacionais das forças de segurança portuguesas que um grupo de investigadores digitais acompanhou durante um ano, em grupos nas redes sociais, onde elementos da PSP e GNR apelam à violência contra políticos, criminosos, jornalistas e figuras públicas.

A rede é denunciada pela SIC e pelo Consórcio de Jornalistas de Investigação, que tiveram acesso à lista dos nomes.

Em grupos fechados da rede social Facebook, há 296 polícias e 295 militares que fazem apelos a atos de violência, com mensagens de cariz racista, misógino, homofóbico e xenófobo, defendendo a extrema-direita e apoiando a ditadura de Salazar.

A reportagem, que será revelada na totalidade na SIC esta noite, detalha o caso de Luís dos Prazeres Maria, agente da PSP à beira da reforma que faz publicações, mostradas pelo canal onde, por exemplo se lê: “Procura-se sniper com experiência em ministros e presidentes, políticos corruptos, gestores danosos”.

“Fomos despertados para isto por elementos das forças de segurança que estavam muito preocupados com a proliferação de ideias de ódio, apologia de violência, por elementos das forças de segurança ligados ao Movimento Zero. Meteram-nos em grupos de Facebook da PSP e GNR. O resultado da investigação foi assustador”, conta sob anonimato um dos investigadores digitais que tratou e acompanhou o caso. Foram analisadas mais de três mil publicações.

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Na lista de quase 600 elementos das forças de segurança, constam referências a figuras de relevo e responsáveis de várias estruturas sindicais da PSP e da GNR. São exemplos Peixoto Rodrigues, do Sindicato Unificado da Polícia, bem como Carlos Flor, Carlos Miguel Monteiro ou Carlos Camacho Matos, da mesma estrutura sindical.

Não é caso único no que diz respeito a membros de estruturas sindicais das forças de segurança. Luís Maria é membro da Organização Sindical dos Polícias (OSP/PSP) e surge na lista, tal como Rui Mota Sousa, da APG/GNR, ou Rui Neves, presidente do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia, bem como elementos da ASPP/PSP.

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