DECO: Preço do açúcar sobe 17% numa semana. Da laranja ao tomate, saiba os produtos que mais aumentaram

Associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga

Francisco Laranjeira

Desde o início do conflito na Ucrânia que o preço dos alimentos tem registado uma subida constante mas esta semana foi uma exceção: a análise da DECO Proteste ao cabaz de bens alimentares essenciais contraiu 0,32 euros na última semana, passando agora a custar 210,51 euros.

A associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.



Na última semana, entre os dias 5 e 12 de outubro, os dez produtos com maiores subidas de preço foram o açúcar branco (17%), a laranja (12%), o carapau (10%), o grão cozido (9%), a farinha para bolos (9%), o leite meio-gordo (9%), a curgete (8%), as salsichas (8%), o azeite virgem extra (7%) e o tomate (7%).

Já os 10 produtos que mais viram o seu preço aumentar entre 23 de fevereiro e 12 de outubro foram a pescada fresca (67%), os brócolos (50%), a couve-coração (40%), a farinha para bolos (35%), a laranja (32%), o frango inteiro (31%), a polpa de tomate (30%), o bife de peru (30%), a bolacha maria (29%) e o leite meio-gordo (28%).

Por categorias, “os aumentos têm-se feito sentir sobretudo na carne e no peixe”, apontou a associação de consumidores. Assim, “entre 23 de fevereiro e 12 de outubro, a carne registou uma subida de 19,28% (mais 6,22 euros), as frutas e legumes viram os seus preços aumentar 17,48% (mais 4,13 euros) e o peixe aumentou 17,12% (mais 10,33 euros). A mercearia, por sua vez, aumentou 10,93% (mais 4,61 euros), uma subida semelhante à dos laticínios, que desde 23 de fevereiro já aumentaram 10,55% (mais 1,21 euros). Já s congelados aumentaram 2,80% (mais 0,39 euros)”.

Desde 23 de fevereiro, em que a DECO iniciou a análise, um dia antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do mesmo cabaz já registou um aumento de 14,64%, custando esta semana mais 26,88 euros do que custava no final de fevereiro.

A associação explicou que este aumento se deve ao facto de Portugal estar “altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”, que “representam atualmente apenas 3,5% da produção agrícola nacional: sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%).

“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta a Deco.

O organismo esclarece que “a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um setor há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.

“A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor”, sublinha.

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