Um estudo sobre o desempenho e pobreza térmica, realizado pela Lisboa E-Nova – Agência de Energia, indicou que há excesso de frio e de calor no interior das habitações em Lisboa: 40% dos moradores da capital admitem sentir frio em casa no inverno, enquanto 52% queixa-se quando o assunto é o calor sentido nas residências durante o inverno. É ainda sublinhado que o excesso afeta negativamente a saúde, nomeadamente a qualidade do sono.
Sara Freitas, coordenador do projeto pioneiro, em declarações ao ‘Diário de Notícias’, indicou que mais de metade dos inquiridos “reconheceu que há uma relação entre conforto térmico e saúde. E depois temos a questão de as pessoas sentirem a sua casa, tanto no inverno como no verão, desconfortável em grande parte do tempo”. Assim, 54% dos moradores da capital considerou que passar frio ou calor em casa tem um impacto negativo no seu estado de saúde, sendo que “tanto no verão, como no inverno, a percentagem de pessoas que sente impacto no sono é muito grande”.
As formas como os lisboetas tentam contornar as dificuldades são surpreendentes. “Mais de 70% referiu vestir roupa mais quente, também acima de 70% está a opção por colocar mais cobertores e roupa mais quente na cama. E depois existem dados interessantes, como os cerca de 20% que dizem que não aquecem a casa no inverno, face aos acima de 40% que afirmam que não arrefecem a casa no verão”, referiu a responsável. “Cerca de 1/3 dos inquiridos reportam usar o aquecedor a óleo, que é um dos equipamentos menos eficientes, mas que ainda está muito presente nas nossas habitações, sendo que em termos de arrefecimento também as ventoinhas estão muito presentes, igualmente com 1/3 a afirmar usar este equipamento. O ar condicionado, sendo um dos aparelhos com maior eficiência, está presente em cerca de 20% das habitações”, precisou Sara Freitas.
Nas habitações, 59% dos moradores da capital identificaram alguma situação de ineficiência construtiva nas suas habitações. As mais apontadas são a humidade (31%), entrada de ar através de portas e janelas (29%), fraco isolamento térmico das paredes (20%) e da cobertura (14%).
O estudo estendeu-se ao Porto e os números são igualmente desanimadores: cerca de 40% dos residentes admitiu desconforto em relação à temperatura em casa durante o inverno, enquanto 23% diz-se igualmente desagradado com a temperatura em casa no verão, de acordo com o estudo sobre o desempenho térmico e a pobreza energética levado a cabo na Invicta pela AdEPorto-Agência de Energia do Porto.












