Escassez de chips vai permanecer até ao final de 2023, garante CEO da Stellantis

Carlos Tavares recordou ainda os investimentos significativos dos Estados Unidos e pela União Europeia para relançar as indústrias de semicondutores “domésticas” e romper a dependência da Ásia

Executive Digest

A falta de semicondutores para a indústria automóvel deverá prolongar-se até ao final de 2023, garantiu esta quinta-feira o CEO do grupo Stellantis, Carlos Tavares, ao jornal francês ‘Parisien’. “A situação vai ficar muito complicada até ao final de 2023, depois vai relaxar, sobretudo porque o mercado da eletrónica de consumo está a cair um pouco”, estimou o gestor português.

Os efeitos da pandemia da Covid-19 ainda são notados. “A indústria de semicondutores adaptou-se e focou-se em produtos de alto valor agregado para o mercado de eletrónicos”, apontou Luca de Meo, responsável pela Renault. “Agora temos dificuldades em encontrar um chip básico para a abertura da janela”, referiu.

Carlos Tavares recordou ainda os investimentos significativos dos Estados Unidos e pela União Europeia para relançar as indústrias de semicondutores “domésticas” e romper a dependência da Ásia. “Quando esses investimentos se concretizarem, haverá semicondutores, e até um excesso. Mas teremos que esperar pelo menos três anos”, frisou.

Questionado sobre a concorrência chinesa na Europa, Carlos Tavares não escondeu uma certa preocupação, nomeadamente com o carro elétrico: “A China está a atacar o mercado com preços muito baixos, talvez subsidiados noutros locais, mas é outro tema”, atirou, lamentando que a Europa tenha “aberto uma porta escancarada” às exportações chinesas. “Se não se é competitivo com os fabricantes chineses, tem de fazer alguma coisa… Ou se vende mais caro, mas perde ‘market share’ e o seu negócio fica muito grande; ou vende pelo preço imposto pela concorrência, mas correndo o risco de acabar no vermelho e ter de se reestruturar”, finalizou Carlos Tavares.

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