A hierarquia da Igreja em Portugal sabia do caso de Ximenes Belo há pelo menos 12 anos, antes da visita de Bento XVI, garantiu esta quinta-feira o jornal ‘Observador’, depois das denúncias do jornal holandês ‘The Groene Amsterdammer’, sobre relatos de homens que terão sido abusados sexualmente quando eram crianças, nas décadas de 80 e 90, pelo Prémio Nobel da Paz e administrador apostólico de Díli.
Ximenes Belo, em 2002, renunciou ao cargo na capital timorense, um pedido aceite pelo Papa em 24 horas. Segundo os relatos, o cansaço, doença e um “longo período de recuperação”, foram os motivos da renúncia. Mas não terá sido bem assim: pelo menos desde 2007 que as suspeitas eram conhecidas entre as forças de segurança. E desde 2010, a hierarquia da Igreja em Portugal também tomou conhecimento do caso.
Em janeiro de 2003, o bispo alojou-se num mosteiro salesiano na zona de Aveiro durante um ano e meio, tendo depois viajado para Moçambique para auxiliar um padre local no trabalho com crianças. Em 2010, a informação, segundo o jornal online, caiu “quase como uma bomba” nas mão sdo então cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que se encontrava a preparar a vinda do Papa Bento XVI a Portugal. Quando confrontado com a notícia, o cardeal português conseguiu que nada fosse publicado, tendo a informação ficado guardado num círculo restrito.
O jornal holandês garantiu que Ximenes Belo foi proibido de sair de Portugal sem autorização do Vaticano. Mas, pelo percurso que o antigo bispo fez, é possível perceber que essa autorização só não foi dada precisamente quando o destino era Timor.













