Adriano Bordalo e Sá, investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, acredita que Portugal poderá vir a sofrer consequências “muito graves” devido à decisão tomada por Espanha de interromper o envio de água do Douro para o lado de cá da fronteira.
Alertando que tal terá implicações negativas ao nível da capacidade de produção de eletricidade em Portugal, fazendo aumentar ainda mais o preço da energia, o especialista explica à ‘Renascença’ que “se não vem água de Espanha, a produção vai ser reduzida ao máximo e, numa situação de penúria energética, que é aquela em que estamos agora, isto vai ser muito complicado”.
Adriano Bordalo e Sá avisa ainda que a qualidade da água que fluirá pelo rio Douro até Portugal será afetada, explicando que “a água vai passar a estar mais tempo nas albufeiras e já vem de Espanha com problemas, com falta de oxigénio e com fertilizantes”. Apesar de a água para consumo humano continuar a ser própria para consumo, o seu tratamento será mais dispendioso, um custo que poderá pesar nos bolsos dos consumidores.
“Claramente o que temos de ter é força política para lembrar a Espanha que a foz do Douro não é em Miranda do Douro, mas sim entre Porto e Gaia, que o Tejo não termina na fronteira, mas perto de Lisboa”, salienta o investigado, destacando que “é preciso haver essa vontade política, mas nós não podemos continuar a assobiar para o lado”.
O ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, já veio a público esclarecer que não há qualquer conflito entre Portugal e Espanha e que prefere enveredar pela via do diálogo do que pela da confrontação.




