Maternidade Alfredo da Costa fecha bloco de partos pela 6ª vez: administração responsabiliza médicos

Apesar de ser a maternidade com mais obstetras do país, apenas 44 dos 55 médicos especialistas e 16 internos estão disponíveis para fazer serviço de urgência: três estão de licença de maternidade e oito têm escusa do horário noturno por terem mais de 50 anos

Revista de Imprensa
Setembro 8, 2022
9:15

A Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, vai voltar a fechar o bloco de partos ao exterior entre esta 6ª feira e a próxima 2ª feira, revelou hoje o jornal ‘Público’ – de acordo com o portal do SNS sobre o funcionamento dos serviços de urgência de obstétrica e ginecológica, a MAC vai encerrar a partir das 9 horas, sendo que reabre apenas no sábado, às 9 horas. O portal informa ainda que na segunda-feira o bloco de partos vai encerrar às 9 horas e não existe data ainda para a reabertura.

Segundo o jornal diário, apesar de ser a maternidade com mais obstetras do país, apenas 44 dos 55 médicos especialistas e 16 internos estão disponíveis para fazer serviço de urgência. Dos 44, três estão de licença de maternidade e oito têm escusa do horário noturno por terem mais de 50 anos. Dos especialistas que fazem noite, 14 têm mais de 50 anos, e não estão, por isso mesmo, obrigados a fazer urgência durante a noite, seis estão a tempo parcial e duas médicas estão com licença de amamentação.



Esta é a 6ª vez que a maior maternidade pública encerra temporariamente e a a causa estará no facto de os médicos, “quer os seniores quer os internos”, recusarem fazer mais horas extraordinárias, mesmo depois de o valor da hora de trabalho suplementar ter sido substancialmente aumentado pelo Ministério da Saúde. A administração da MAC acusou mesmo os médicos de resistência e de falta de boa vontade – em agosto, o bloco de partos da MAC já tinha estado fechado durante três dias. Em setembro, as portas já foram encerradas dois dias.

Jorge Roque da Cunha, presidente do Sindicato Independente dos Médicos, garantiu que o caso da Maternidade Alfredo da Costa não é único. “Falha, fundamentalmente, a capacidade de o Governo inicialmente ter reconhecido o problema, que tem se vindo a acumular, depois a segunda atitude foi tentar mitigar a sua existência e hoje a verdade é que não só a MAC está com este constrangimento”, apontou o responsável, em declarações à rádio ‘TSF’, que alertou para problemas “sérios” também no Hospital de Setúbal, no Hospital Garcia da Orta e no Hospital Fernando da Fonseca.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.