Vistos para cidadãos russos vão custar 80 euros e até 45 dias para serem obtidos, revela Comissão Europeia

Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia concordaram, após uma reunião informal na semana passada, em limitar o número de vistos para cidadãos russos como retaliação à guerra na Ucrânia

Francisco Laranjeira

Os vistos para os cidadãos russos na União Europeia vão ser mais caros e mais demorados a obter – as licenças vão custar agora 80 euros (atualmente o preço é 35 euros) e o prazo será de 15 dias, embora estes possam ser prorrogados até um máximo de 45 dias. A proposta da Comissão Europeia de suspender o acordo de facilitação de vistos com a Rússia, na sequência do acordo alcançado pelos 27 na resposta à invasão militar da Ucrânia, motivou a iniciativa apresentada esta terça-feira em Bruxelas.

Entre outros obstáculos, os turistas russos deixarão de usufruir de múltiplas entradas no espaço Schengen e os vistos serão obtidos com condições menos vantajosas, uma vez que os requerentes terão de apresentar mais documentos para os obter.



Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia concordaram, após uma reunião informal na semana passada, em limitar o número de vistos para cidadãos russos como retaliação à guerra na Ucrânia – o debate foi lançado pelos países bálticos e pela Finlândia, que viram um aumento na chegada de turistas russos às suas fronteiras para viajar daí para o resto da Europa.

Atualmente, quase um milhão de cidadãos russos – 963 mil, segundo estimativas de Bruxelas – possuem vistos válidos para o espaço Schengen. O acordo de facilitação de vistos com a Rússia estava em vigor desde 2007 e permitia que os seus cidadãos entrassem na UE por um período de até 90 dias.

Paralelamente, a Comissão Europeia propôs também hoje uma abordagem comum da UE para o não reconhecimento de passaportes russos emitidos em regiões estrangeiras ocupadas, uma vez que a Rússia estende atualmente a prática de emitir passaportes russos comuns a zonas em território ucraniano sob seu controlo, em particular as regiões de Kherson e Zaporijia (no sul da Ucrânia).

De acordo com Bruxelas, “os Estados-membros não devem reconhecer os passaportes russos emitidos nas zonas ocupadas da Ucrânia como documentos válidos para efeitos de emissão de um visto e de passagem das fronteiras externas da UE”.

Esta proposta legislativa, argumenta o executivo comunitário, “garantirá uma abordagem vinculativa, aplicável em todos os Estados-membros, em substituição das ações voluntárias tomadas pelos Estados-membros desde a anexação ilegal da Crimeia [em 2014]”.

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