Aumento das pensões proposto pelo Governo vai fazer os pensionistas perder (pelo menos) 400 euros a partir de 2024

Com as medidas, até ao final de 2023 os pensionistas recebem o mesmo mas perdem em 2024 e nos anos seguintes – numa reforma atual de 750 euros, um pensionista vai perder quase 400 euros ao longo de 2024

Revista de Imprensa

As medidas anunciadas pelo Governo, esta 2ª feira, incluem dois aumentos de pensões, um extraordinário em outubro deste ano e o habitual em janeiro no próximo ano, o que seria naturalmente boas notícias para os pensionistas. Mas será bem assim? Segundo revelou a ‘CNN Portugal’, nem por isso. Com as medidas, até ao final de 2023 os pensionistas recebem o mesmo mas perdem em 2024 e nos anos seguintes – numa reforma atual de 750 euros, um pensionista vai perder quase 400 euros ao longo de 2024.

A perda para os pensionistas (e ganho para o Estado) será em 2024 de cerca de 3,4%. Mas, numa reforma de 750 euros, de acordo com a lei, o aumento seria de entre 7,1 e 8%. No entanto, a proposta de António Costa visa uma subida de entre 3,53 e 4,43%. A meia pensão este ano, que vai ser paga em outubro, equivale a um valor adicional a cada pensionista este ano de 3,6%. Somando os dois aumentos, dá os 7,1% a 8% mas que só reportam a 2022 e 2023.



A partir de 2024, os novos aumentos a efetuar serão calculados apenas sobre a nova pensão de 2023 – isto é, sobre a pensão aumentada em 3,53% a 4,43%, e não sobre uma pensão aumentada em 7,1% a 8%. Na prática, se os pensionistas fossem aumentados em 2023 de acordo com a lei, o aumento de 7,1 a 8% prolongar-se-ia durante todos os anos futuros da sua vida. Assim, só o aumento de 3,53% a 5,43% se multiplica durante o resto da sua vida.

Um exemplo: um reformado com uma pensão de reforma de 750 euros receberá em outubro a pensão extraordinária de 375 euros e verá a sua pensão aumentada em 33 euros em 2023. No final de 2022 e de 2023, recebeu ao todo mais 375 euros em 2022 e mais 465 euros ao longo de 2023, o que totaliza mais 840 euros do que receberia normalmente em 2022.

Mas, se a lei fosse aplicada à letra, o mesmo reformado não receberia qualquer pensão extraordinária este ano e veria a sua pensão aumentada em 60 euros em 2023. No final de 2022 e 2023, teria recebido também mais 840 euros do que receberia normalmente em 2022.

A diferença chega a partir de 2024: na proposta do Governo, os aumentos de 2024 incidirão sobre a pensão de 783 euros mensais de 2023. Se a lei fosse aplicada à letra, os aumentos incidiriam sobre a renda mensal de 840 euros mensais. Numa pensão atual de 750 euros, o pensionista recebe o mesmo em 2022 e 2023 somados mas vê a sua renda subir menos 28 euros em 2024, o que significa que deixará de receber um total de 391 euros nesse ano.

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