Ucrânia: UE deve proibir entrada de turistas russos. “O tempo para meias medidas já foi”, aponta ministro ucraniano

Dmytro Kuleba, ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, quer um programa especial para soldados russos que se decidam render

Francisco Laranjeira

A União Europeia deve proibir a entrada dos turistas russos, frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, esta quarta-feira, exortando medidas aos ministros do bloco europeu, reunidos em Praga. O responsável ucraniano também propôs um programa no qual os soldados russos que se rendessem seriam recompensados com “uma nova vida” embora sem precisar.

Os países orientais e nórdicos apoiam fortemente a proibição do turismo russo ao passo que a Alemanha e França já alertaram os seus pares que seria contraproducente, garantindo que os russos comuns ainda deveriam ter acesso ao Ocidente.



É expectável que os ministros da União Europeia concordem em princípio com a suspensão de um acordo de facilitação de vistos com Moscovo – o que significa que os russos teriam de esperar mais e pagar mais pelos vistos – mas não uma proibição total de viagens da UE.

“O tempo para meias medidas já foi”, alertou Kuleba, em declarações à agência ‘Reuters’. “Somente uma política dura e consistente pode produzir resultados.”

“Uma proibição de visto para turistas russos será uma resposta apropriada à guerra genocida de agressão da Rússia no coração da Europa, apoiada por uma esmagadora maioria de cidadãos russos”, garantiu Kuleba.

Gabrielius Landsbergis, ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, apontou que deve ser feito mais. “A posição da Lituânia é que o número de turistas (russos) que chegam à UE tem de ser reduzido, se não completamente cancelado”, explicou.

Estónia, Finlândia, Lituânia, Letónia e Polónia escreveram uma declaração conjunta pedindo à Comissão Europeia que proponha medidas para “diminuir decisivamente o fluxo de cidadãos russos para a União Europeia e o espaço Schengen”, revelou o ‘Financial Times’. “Até que tais medidas estejam em vigor no nível da UE, consideraremos a criação de medidas temporárias no nível nacional para abordar questões iminentes de segurança pública relacionadas ao aumento do fluxo de cidadãos russos através das nossas fronteiras.”

Kuleba também propôs o lançamento de um programa especial para soldados russos que não queiram lutar na Ucrânia. “(A mensagem): salve-se e vá embora. Baixe as armas, renda-se às forças ucranianas e tenha a oportunidade de começar uma nova vida”, disse. “Estou confiante de que vale a pena fazer esta oferta, porque mesmo que um soldado russo deponha as armas e decida sair, isso significa salvar vidas ucranianas e uma paz mais próxima”, frisou.

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