A queda da inflação pode acelerar? Corretora diz que o ritmo será lento

Existem atualmente vários fatores que apontam para uma possível aceleração do declínio da inflação, porém, segundo a corretora online Freedom Finance Europe, este pode ser lento.

Beatriz Cavaca

Existem atualmente vários fatores que apontam para uma possível aceleração do declínio da inflação, porém, segundo a corretora online Freedom Finance Europe, este pode ser lento.

Para chegar a esta conclusão, a corretora fez uma análise onde aponta várias evidências e assinala também os riscos-chave que se observaram nos últimos tempos.



Segundo esta análise, o Índice de Preços de Alimentos (compilado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) registou o seu sexto mês consecutivo de diminuição em setembro. O declínio do índice traduz-se numa redução do custo do cabaz alimentar e, consequentemente, numa redução do nível de inflação alimentar. Além disso, os preços de quase todas as mercadorias estão a cair gradualmente dos seus valores máximos. A percentagem de mercadorias no índice do IPC é de 21,3%, o que o torna o segundo mais elevado.

Sublinha-se também que os preços dos produtos agrícolas começaram a estabilizar desde julho, quando a situação com o abastecimento de cereais normalizou. Se o conflito entre a Rússia e a Ucrânia não se agravar, podemos esperar novas descidas de preços neste segmento.

Da mesma forma, os preços dos metais industriais também têm estado em declínio desde abril, e é provável que esta tendência continue no meio de um abrandamento significativo da economia chinesa.

Apesar disto, a incerteza em torno dos recursos energéticos persiste. Os preços do petróleo e do gás têm vindo a cair nos últimos meses, mas é difícil prever novos desenvolvimentos. De acordo com os dados mais recentes, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu as expectativas da procura de petróleo em 2022 e 2023 devido a uma economia global em abrandamento. Contudo, ao mesmo tempo, anunciou planos para reduzir a produção de petróleo em 2 mb/d a partir de novembro, a fim de apoiar os preços.

Por outro lado, de acordo com as previsões fornecidas pela U.S. Energy Information Administration (EIA), o valor do petróleo WTI deverá apresentar um ligeiro aumento em 2023. Para o gás, a média anual está projetada para cair em 2023.

Assim sendo, a incerteza sobre os preços da energia permanece. Contudo, se as cadeias de abastecimento de petróleo e gás forem normalizadas e não houver desacordo entre a OPEP e os países ocidentais, os preços dos produtos energéticos podem continuar a baixar.

Além destas conclusões, a análise fala da diminuição do índice de preços na produção demonstrada pelo Índice de Preços no Produtor (PPI, um indicador que traduz a inflação para os produtores de bens e geralmente supera o indicador clássico de inflação), que tem vindo a mostrar uma aceleração da tendência descendente desde junho. Paralelamente, o Índice de Pressão Global da Cadeia de Abastecimento do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque tem diminuído durante cinco meses consecutivos.

Adicionalmente, aponta ainda para uma redução dos custos de habitação, que são uma componente chave do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), e representam 32,5% do peso específico.

Como riscos-chave para um declínio lento da inflação num futuro próximo, a análise apresenta a possibilidade da escalada dos conflitos geopolíticos e a deterioração das relações entre a OPEP e os países ocidentais. A concretização de um destes casos poderia levar a novos aumentos nos preços das matérias-primas, em particular dos preços da energia. Como resultado, uma redução da inflação poderia ser adiada, o que provocaria o Fed a tornar a política monetária mais restritiva.

Apesar de tudo isto, com base nos fatores acima apresentados, a Freedom Finance assinala que quase todos os fatores apontam para uma possível redução da inflação a um ritmo mais rápido no curto prazo. Assim, esperam que a queda da inflação acelere na primeira metade de 2023, desde que não se verifique uma escalada de conflitos geopolíticos nem uma deterioração das relações entre a OPEP e os países ocidentais.

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