Desde os finais dos anos 70 e inícios dos anos 80 que a economia mundial não enfrenta um disparo da inflação tão acentuado como estamos a experimentar atualmente. Depois de quatro décadas de uma inflação em baixa, levantou dúvidas se uma política expansiva resultaria numa inflação mais elevada.
Mas os fatores que ajudaram a manter a inflação baixa durante anos começaram a deteriorar-se com a pandemia, com os processos de globalização a abrandarem e a inverterem-se entre as “guerras comerciais” sino-americanas, as políticas ambientais a aumentarem os custos das empresas e o impacto da resposta à pandemia, apontam os analistas da XTB, no seu “Guia sobre a Inflação”.
Enquanto as empresas se viam afetadas pelas medidas de confinamento e restrições impostas pela pandemia, a procura começou a aumentar e os apoios governamentais como os subsídios, vouchers ou apoios fizeram disparar essa mesma procura. No entanto, esta não foi acompanhada pela oferta, traduzindo-se num aumento de preços e, consequentemente, um cenário de inflação.
Os analistas apontam ainda aos Bancos Centrais que ignoraram os primeiros sinais de inflação e demoraram a atuar, atrasando uma resposta ao aumento dos preços e permitindo que as pressões sobre os preços se tornassem mais ancoradas.
O que se pretende é uma inflação baixa e estável para apoiar o crescimento económico que ajuda a planear os negócios e a gerir os custos. Por outro lado, se a inflação começar a subir demasiado, pode tornar-se um problema para os agentes económicos, semeando a incerteza em diversas vertentes, desde a gestão empresarial até ao aumento das hipotecas.
Em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta quinta-feira os valores da inflação de setembro, que se situaram nos 9,3%, taxa superior em 0,4 pontos percentuais à do mês anterior e a mais elevada desde outubro de 1992.












