Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
A globalização falhou! Tudo porque nos estados interdependentes e abertos ,económica e politicamente não servem aos modelo autocráticos de uma oligarquia política que só pensa em si próprios. A Rússia quer reavivar o império, a Índia quer se aproveitar dos recursos energéticos baratos que a Rússia está a vender e continua viver estruturada em castas, a China “corre numa pista paralela”, a Coreia do Norte ninguém sabe mas também não interessa, outros estados mais irrelevantes do ponto de vista político defendem apenas os seus interesses próprios. Mesmo os EUA admitem conciliar-se com o regime venezuelano e o Brasil quer aproveitar a oportunidade do mercado de cereais proporcionado pelo vazio ucraniano.
A globalização falhou porque os valores, os interesses, os ideais e a visão do mundo não é a mesma para todos. Para um mundo global não basta ter linhas aéreas que viajam para todo o lado, internet e informação acessível a todos, redes sociais comuns, conhecimento partilhado de forma massiva, corporações com espaços comerciais iguais em todas as cidades do mundo… na minha terra adoptiva, Viseu, usa-se uma perífrase que retrata bem este espírito: “deita-te com cães, acordas com pulgas”. A segunda guerra mundial e o acordo entre chamberlain e hitler devia-nos ter ensinado isso, mas não ensinou (embora talvez chamberlain seja fruto de alguma injustiça pois permitiu construir durante um ano de falsa paz com a Alemanha nazi, a máquina de guerra europeia que não existia). Portanto a solução não é a globalização, mas a Europeização. E mesmo aqui, a visão geoestratégica das nações, varia de estado para estado, mas certamente há mais pontos em comum, pelo menos uma identidade comum, assente na comunidade europeia. Talvez a auto-suficiência da Europa seja o caminho certo. O federalismo europeu deve ser a única estratégia que protege a Europa da globalização. A Europa tem de se reindustrializar e criar autonomia sustentável energética e na produção alimentar e agrícola. O Comércio livre com regimes párias mostrou os efeitos negativos da globalização. Não só a nível energético, mas a nível agrícola, alimentar, farmacêutico e outras produções industriais. Não significa isto que a Europa deve ser “chauvinista” com o resto do mundo, mas que deve interagir apenas (do ponto de vista económico, social e político) com estados e regimes que têm os mesmos valores, a mesma visão do equilíbrio de poderes, o mesmo “modus operandi”. Tem também de criar um exército único, que se possa orgulhar de tal nome e defenda as fronteiras do nosso mundo civilizado, reforçando a unicidade da Europa, como um só. Para além disso, criar uma economia sustentável, eco-responsável, transparente, assente no modelo de Governance e eliminar qualquer possibilidade de fazer negócio com quem não o seja. Fundamental será criar uma sociedade com uma identidade comum, que nos orgulhe a todos de ser europeus, algo muito semelhante ao que a catástrofe na Ucrânia nos está a induzir (só esperemos que seja por outros motivos culturais e sociais que não a violência). Um dos pontos fulcrais desta estratégia social é a educação dos jovens, para quem o mundo tem de deixar de ser global para passar a ser europeu ou pelo menos transnational, mas de valores sobreponíveis. “As ervas daninhas matam-se pela raiz”.
Portanto, a forma como vemos o mundo, mudou. Passou da globalização à europeização (ou transnacionalidade) e ás alianças estratégicas com quem não pertence a este bloco. O mundo tornou-se mais pequeno, muito por força da pandemia de Covid, da invasão da Ucrânia e pela menoridade de alguns ditadores, mas também pelo facto da civilização não os ter impedido de coexistir num mundo global. É uma nova “guerra fria” sim, mas para defesa do nosso modo de vida. Voltaire já dizia “o senso comum não é tão comum assim” e para ser global tinha de ser comum e um valor valioso para todos!




