Não é que o nervosismo miudinho tenha saído dos índices norte-americanos na semana passada, mas a consolidação de terça-feira aliada à recuperação consistente dos dois dias seguintes e à forte queda de sexta-feira, deram alguma direção a um mercado que precisava de catalisadores após a robusta recuperação de julho e agosto, que reduziu a metade as perdas desde o inicio do ano, deixando algumas métricas de avaliação claramente em níveis de risco elevado, como o price earnings ratio, não obstante a earning season ter terminado com uma pitada de menor pessimismo, mas sem grande otimismo que justificasse um regresso a níveis de risco dessa dimensão, equiparáveis aos de final de 2021.
Daí que após o “choque” de Jerome Powell o sentimento tivesse ficado órfão de liderança, até porque a sessão de segunda-feira foi claramente de continuação da pressão vendedora de sexta-feira, mas já num registo de escoamento final do pessimismo gerado pelas declarações do presidente do FED, deixando assim o terreno preparado à espera de um novo catalisador, o que está a permitir algum alívio no início de terça-feira, contudo é ainda muito cedo para se conseguir aferir para onde irá o sentido de Wall Street até sexta-feira, dia em que serão conhecidos os non-farm payrolls e quando os investidores poderão ter novos dados sobre uma ponto essencial para a política monetária, o mercado laboral.
Com efeito nesta fase são os custos com a frente laboral que são a principal incógnita para a direcção da normalização da política monetária, por mais que um motivo, uma vez que se é certo que um abrandamento das pressões inflacionistas do mercado de trabalho são positivas para o controlo/redução da inflação, por outro lado coloca um enorme dilema, é que a perda de poder de compra, derivada do aumento de custos para as famílias e rendimentos comparativamente menores, irá provocar uma diminuição significativa na apetência dos consumidores em suportarem uma actividade económica robusta, o que por outro lado não deixa de ser o cenário que o FED deseja. Resta saber é até onde esse arrefecimento irá levar o PIB e como serão afetados os resultados das empresas, que ditam o andamento de Wall Street no médio-longo prazo.
Portanto, é provável que a volatilidade devido à espera pelos non-farm payrolls continue a liderar nos próximos dias, a não ser claro, que algum dado económico inesperado seja conhecido, ou que algum membro do FED emita uma declaração fora das expectativas atuais.
Marco Silva
Consultor da ActivTrades




