Volatilidade volta a dominar Wall Street, alerta analista

Não é que o nervosismo miudinho tenha saído dos índices norte-americanos na semana passada, mas a consolidação de terça-feira aliada à recuperação consistente dos dois dias seguintes e à forte queda de sexta-feira, deram alguma direção a um mercado que precisava de catalisadores após a robusta recuperação de julho e agosto.

André Manuel Mendes

Não é que o nervosismo miudinho tenha saído dos índices norte-americanos na semana passada, mas a consolidação de terça-feira aliada à recuperação consistente dos dois dias seguintes e à forte queda de sexta-feira, deram alguma direção a um mercado que precisava de catalisadores após a robusta recuperação de julho e agosto, que reduziu a metade as perdas desde o inicio do ano, deixando algumas métricas de avaliação claramente em níveis de risco elevado, como o price earnings ratio, não obstante a earning season ter terminado com uma pitada de menor pessimismo, mas sem grande otimismo que justificasse um regresso a níveis de risco dessa dimensão, equiparáveis aos de final de 2021.

Daí que após o “choque” de Jerome Powell o sentimento tivesse ficado órfão de liderança, até porque a sessão de segunda-feira foi claramente de continuação da pressão vendedora de sexta-feira, mas já num registo de escoamento final do pessimismo gerado pelas declarações do presidente do FED, deixando assim o terreno preparado à espera de um novo catalisador, o que está a permitir algum alívio no início de terça-feira, contudo é ainda muito cedo para se conseguir aferir para onde irá o sentido de Wall Street até sexta-feira, dia em que serão conhecidos os non-farm payrolls e quando os investidores poderão ter novos dados sobre uma ponto essencial para a política monetária, o mercado laboral.



Com efeito nesta fase são os custos com a frente laboral que são a principal incógnita para a direcção da normalização da política monetária, por mais que um motivo, uma vez que se é certo que um abrandamento das pressões inflacionistas do mercado de trabalho são positivas para o controlo/redução da inflação, por outro lado coloca um enorme dilema, é que a perda de poder de compra, derivada do aumento de custos para as famílias e rendimentos comparativamente menores, irá provocar uma diminuição significativa na apetência dos consumidores em suportarem uma actividade económica robusta, o que por outro lado não deixa de ser o cenário que o FED deseja. Resta saber é até onde esse arrefecimento irá levar o PIB e como serão afetados os resultados das empresas, que ditam o andamento de Wall Street no médio-longo prazo.

Portanto, é provável que a volatilidade devido à espera pelos non-farm payrolls continue a liderar nos próximos dias, a não ser claro, que algum dado económico inesperado seja conhecido, ou que algum membro do FED emita uma declaração fora das expectativas atuais.

 

Marco Silva
Consultor da ActivTrades

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.