Sobre a moda de pagar as compras online a prestações

Opinião de Marta Almeida, Diretora Coordenadora Nacional da DS Intermediários de Crédito

Executive Digest

Não faltaram razões para termos ido às compras nos últimos meses ou foi a Black Friday, Natal ou Passagem de Ano, e agora chegam os Saldos. E com as compras chegam os pagamentos e os créditos.

Já se fala da possibilidade de pagar as compras online a prestações, sem juros e taxas associadas, algo possível com compras de valores mais baixos. Numa primeira perspetiva, podemos prever que recorrer a este tipo de formato pode levar a um aumento das compras por parte do consumidor e, com isso, a longo prazo, uma maior instabilidade financeira, porque pagar a prestações é naturalmente sinónimo de ter dinheiro em dívida. Se não acarretamos juros ou taxas, melhor. Mas para muitos portugueses pode significar: vou comprar mais. Ou seja, gastar mais e, pagando de forma faseada, endividar-se mais tempo. Por isso, cuidado com informações ‘sem taxas e juros’; primeiro entenda o que lhe estão a propor e só depois avance, apenas se sentir 100% de segurança para o fazer.

Nos dias de hoje, especialmente considerando iminentes crises económicas, ter consciência das suas finanças pessoais importa e muito. Mais do que aderir a pagamentos a prestações, em primeiro lugar, é necessário compreender o que isso traz, da responsabilidade a que se está a propor para os próximos meses, anos, décadas. Será este um compromisso que terá condições de cumprir?

As entidades bancárias concedem créditos para ajudar os seus clientes a ter liquidez, seja a comprar uma casa, um carro ou mesmo as compras de Natal. A ideia é solucionar o problema do cliente e permitir que ele tenha como pagar no momento, mas com valores mais avultados é inevitável ter taxas e juros, porque significam um compromisso assumido por parte do cliente.

Voltando às compras e à época dos saldos, além das prestações sem taxas ou juros, pondere onde vai comprar. As burlas estão sempre à espreita principalmente nas promoções e garantir que está a fazer uma boa compra é hoje, felizmente, fácil de perceber. Há plataformas que lhe indicam os preços dos produtos dos últimos meses e visitar esses sites por antecipação pode traduzir-se numa decisão consciente no amanhã.

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Outro tema que não posso deixar de salientar é que tal como ponderar pagar a prestações, deve ponderar ter ou não um cartão de crédito. Para muitos a palavra crédito é assustadora, mas optar por um é legitimo. No entanto, mais uma vez, importa saber com o que está a comprometer-se, porque no mercado há múltiplas opções. Escolher com consciência e de acordo com as suas reais necessidades é o que vai retrair o medo de optar por um cartão de crédito porque nesse momento saberá o que isso representa. Recordo ainda que existem cartões com vantagens como o cashback em que recupera uma percentagem do que gastou, uma boa forma de ter um benefício extra nas compras que efetuar nesta época de saldos.

O desafio é saber qual é a melhor opção para as próximas compras. Aconselho sempre a pedir recomendações. Não se deixe influenciar por algumas notícias. Informe-se, peça ajuda a quem sabe, de preferência a um especialista independente que seja isento de qualquer empresa ou entidade bancária e que olhe para uma solução dentro das suas possibilidades. Na área em que atuo, da intermediação de crédito, já assisti a centenas de pessoas atormentadas pelas suas prestações; muitas delas começaram com umas simples compras que se tornaram uma autêntica ‘bola de neve’. Sublinho: antes de decidir pagar a prestações seja o que for neste novo ano, procure conhecer todas as opções do mercado. Decida com consciência.

 

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Marta Almeida

Diretora Coordenadora Nacional da DS Intermediários de Crédito

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