Explicador: Como aproveitar o imobiliário num período de inflação?

A procura que desapareceu durante os sucessivos confinamentos, regressou, e traz a força de níveis de poupança elevados gerados pelos sucessivos confinamentos e restrições ao consumo daí decorrentes.

Executive Digest

Um grande ponto de interrogação! É assim o momento em que estamos a viver. O mundo ainda tenta perceber em que medida a variante delta pode ganhar tração e voltar a fechar as pessoas em casa e, ao mesmo tempo, as economias procuram retomar enquanto lidam com vários constrangimentos de duração e efeitos incertos. É cada vez mais difícil dizer que a economia retomará no ponto em que ficou porque já nada está igual.

A procura que desapareceu durante os sucessivos confinamentos, regressou, e traz a força de níveis de poupança elevados gerados pelos sucessivos confinamentos e restrições ao consumo daí decorrentes. A injeção de liquidez nas economias pelos bancos centrais e os apoios estatais às empresas e famílias, ainda não deixam adivinhar o impacto real da pandemia nos rendimentos. E para já, as famílias parecem dispostas a gastar o dinheiro poupado e regressar ao lazer de que abdicaram durante todo este tempo.



Por seu lado, a oferta parece não estar a responder a esta procura revigorada e está a lidar com vários problemas que vão desde às dificuldades no abastecimentos, escassez de componentes, transporte internacional intermitente. Estas duas forças opostas de maior procura por um lado e oferta que não consegue estar ao mesmo nível, geram pressões negativas sobre a inflação e crescimento económico. Por isso, é cada vez mais importante investir a liquidez disponível em investimentos que proporcionem um bom retorno e permitam uma proteção contra possíveis condições adversas num futuro próximo.

Esta é uma altura em que é de extrema importância apostar em bons ativos, tanto no segmento residencial como outros que têm apresentado uma resiliência bastante positiva, como escritórios, industrial & logística e inclusive hospitality (residências estudantes, residências seniores e hotelaria). Ativos que se anteveja que sejam capazes de resistir a uma crise económica que se poderá refletir numa subida generalizada de preços no curto prazo e, eventualmente, menor crescimento económico, à medida que os bancos centrais começam a intervir para controlar a inflação, seja através da limitação do créditos seja através  da subida das taxas de juro.

O imobiliário encontra-se numa posição privilegiada para proteção dos investidores, em face destas perspetivas. A escassez de oferta imobiliária permite obter boas rentabilidades para quem escolhe investir neste setor e não é provável que esta situação se altere no curto e médio prazo. É preciso aproveitar as condições ainda benéficas de crédito, a atratividade de Portugal em relação ao capital estrangeiro e as novas tendências que vão desde o nomadismo digital à procura de melhor qualidade de vida fora dos grandes centros urbanos.

Mas, para isso, é preciso investir com critérios rigorosos de seleção e estratégia claramente definidos, apostando nos segmentos do sector menos expostos a ciclos económicos, bem como adotar um postura conservadora em blindar os contratos de forma a que a rentabilidade possa estar protegida contra a inflação que se apresenta como uma ameaça cada vez mais credível.

O momento é assim de incerteza: existem muitas perguntas e poucas respostas, ninguém sabe ou é capaz de prever os tempos que se avizinham, mas apesar disso, existem boas oportunidades que podem e devem ser aproveitadas.

 

Nuno Santos, Chief Financial Officer

Gonçalo Valente, Head of Business Development

JLL

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