O fundador e ‘Chairman’ da Evergrande, Xu Jiayin, vendeu mais de 7 mil milhões de yuans ( 1,1 mil milhões de dólares, à taxa de câmbio desta quarta-feira) do seu património pessoal, para responder à dívidas da gigante imobiliária chinesa.
A notícia foi avançada pelo órgão de comunicação social público ‘China Business News’, tendo por base declarações de fontes próximas do executivo.
Xu Jiayin vendeu, desde julho, várias casas em Hong Kong,Guangzhou e Shenzhen, bem como alguns jatos particulares.
O dinheiro arrecadado tem sido usado para “manter as operações básicas do seu enorme império empresarial, pagar salários, obrigações financeiras, juros e dividendos”, escreve o diário económico chinês.
Perante esta notícia, a cotação das ações da empresa subiu até 4,3% no mercado de Hong Kong. Este ano, o preço dos títulos da gigante imobiliária sofreram uma quebra de 80%.
Há uma semana, a Evergrande voltou a conseguir pagar, à última hora, juros sobre títulos de dívida, evitando assim entrar em incumprimento.
Segundo a agência Bloomberg, a empresa, cuja potencial falência pode abalar a economia da China, conseguiu pagar os juros sob títulos emitidos nos mercados estrangeiros.
A dívida da Evergrande ascende a 260 mil milhões de euros – valor superior ao Produto Interno Bruto (PIB) português.
A sua situação financeira é acompanhada com preocupação, porque o potencial colapso pode abrandar o crescimento da segunda maior economia mundial.
Há duas semanas, cumpriu-se o período de carência de um mês para efetuar o pagamento de títulos em dólares – no valor equivalente a 128 milhões de euros -, mas os credores receberam o dinheiro, revelou a Bloomberg.
Em outubro, a Evergrande evitou, por várias vezes, entrar em incumprimento, pagando, à última hora, juros sob títulos emitidos em dólares.
O grupo tem também vendido ativos de forma a aumentar a liquidez.
Na semana passada, a empresa arrecadou 124 milhões de euros com a venda de uma participação numa empresa de serviços da Internet, a HengTen Networks Group.
Determinados a limitar a especulação no setor imobiliário, os reguladores restringiram o acesso do crédito às empresas, visando reduzir os níveis de alavancagem.
Mas vários artigos publicados pela imprensa oficial esta semana sugerem que as autoridades parecem querer aliviar parte da pressão.
O jornal oficial de negócios Securities Times informou há quinze dias que o acesso a empréstimos bancários foi facilitado, para tornar mais fácil para as imobiliárias arrecadar fundos.
O China Securities Journal e o Shanghai Securities News publicaram artigos semelhantes há uma semana, incluindo dados sobre o apoio prestado pelo banco central, apontando que os empréstimos às imobiliárias aumentaram em outubro.
Segundo o The Wall Street Journal, que cita fontes próximas da questão da Evergrande, o Governo chinês “quer administrar uma implosão controlada” da empresa, através da venda de alguns ativos da construtora a firmas chinesas, ao mesmo tempo que limita os danos para os compradores de residências e fornecedores.
O imobiliário é o veículo de investimento favorito das famílias chinesas, compondo cerca de 30% do PIB chinês.
Embora alguns cidadãos chineses tenham investido as suas poupanças em novas casas, muitos outros também compraram apartamentos como investimento nos últimos anos, sem qualquer intenção de residir ou alugar os imóveis.
As imobiliárias chinesas costumam receber pagamentos dos compradores antes de concluírem a construção, colocando o dinheiro em risco se os projetos forem abandonados ou suspensos.






