O banco de António Horta Osório foi alvo de buscas, ainda que atualmente nenhum dos atuais ou anteriores funcionários sejam considerados suspeitos, avançou o Financial Times.
No passado dia 1 de outubro, a Assembleia Geral Extraordinária (MGE) propôs Axel P. Lehmann e Juan Colombas, para os cargos de novos membros não executivos do Conselho de Administração, informou a instituição financeira liderada por António Horta Osório num comunicado enviado à Executive Digest.
O próprio António Horta Osório, presidente do Credit Suisse desde abril, assumiu mais funções executivas no banco suíço. Fontes internas revelam que este acumular de funções pode diluir a autoridade do CEO do banco, Thomas Gottstein.
O banco “fechou os olhos” a uma situação de risco patente?
O Credit Suisse está a restruturar o departamento de Risco, tendo chegado mesmo a recorrer à recontratação de funcionários que abandonaram, recentemente, o banco. A decisão surge pouco depois de um relatório, encomendado pela nova administração de António Horta Osório, ter concluído que apesar de não ter havido “uma conduta fraudulenta ou ilegal” no caso da Archegos, o banco “fechou os olhos” a uma situação de risco patente.
O relatório, publicado há duas semanas pela sociedade de advogados Paul Weiss, revelou que Hafner poderia ter evitado as negociações ruinosas que levaram o banco suíço a registar perdas consideráveis.
A investigação sobre as negociações do Credit Suisse com a Archegos Capital revelou que o banco suíço não conseguiu “gerenciar efetivamente o risco”, ainda que não se possa apontar o dedo por “conduta ilegal ou ilícita”.
A Archegos construiu grandes participações em certas ações através de swaps , um produto financeiro da família dos derivativo, através do qual os investidores negoceiam “em mão”, sem ter de publicar publicamente as participações. que divulgar as participações publicamente e são altamente alavancados. Uma das vendas obrigou o fundo a injetar mais dinheiro.
O relatório encomendado pelo conselho de administração do banco constatou uma falha na “gestão efetiva do risco” , acrescentando que este mesmo risco já era patente, “pelo menos desde setembro de 2020”.
“Também foi patente a falha no controlo dos limites em ambas as linhas de defesa, como resultado de uma quitação insuficiente das responsabilidades de supervisão no Banco de Investimento e no tisco, bem como pela falta de priorização das medidas de mitigação e aprimoramento de riscos”, pode ler-se no documento.
O relatório chega mesmo a afirmar que “parece provável que Archegos tenha enganado o Credit Suisse e ofuscado a verdadeira extensão das suas posições comerciais, as quais a Archegos acumulou em plena pandemia”.
No entanto, a investigação concluiu que não houve “conduta fraudulenta ou ilegal”.
O pedido deste relatório foi uma das primeiras medidas tomadas por António Horta Osório, assim que chegou à liderança do banco em março.
Um império em queda
O lucro líquido do Credit Suisse registou uma quebra homóloga de 78% durante o segundo trimestre deste ano, revela o relatório de contas enviado pelo banco ao regulador. Depois desta notícia, as ações da instituição financeira, liderada por António Horta Osório, caíram no 5,1% na Bolsa de Zurique. Desde o inicio do ano as ações já sofreram uma queda de 21%.
Em março, o banco teve uma quebra de 4,4 mil milhões de francos suíços, ou seja, cerca de quatro mil milhões de euros, ainda agravada pelas suas negociações com a Archegos Capital Management, semanas após a implosão da Greensill Capital. Os dividendos foram cortados e as recompras de ações suspensas. E, segundo a Bloomberg, os analistas preveem ainda mais perdas e potenciais multas.
Desde há quatro meses, as ações da instituição financeira suíça caíram mais de 20%.





