O Mibel – Mercado Ibérico de Electricidade atinge amanhã um novo recorde no preço grossista da eletricidade, com uma média de 123€ por MWh. As causas deste agravamento? Menos vento e maior recurso a centrais a gás e centrais hidroelétricas.
A informação avançada pelo ‘Expresso’, tendo por base os dados do Omie, operador do mercado de contratos diários e intradiários da Península Ibérica, mostra este novo recorde será alcançado já nesta quinta feira, 26 de agosto. O recorde anterior era de 117,29€ por MWh, registado a 13 de agosto.
Já no passado dia 20 de agosto o preço da eletricidade em Portugal e Espanha quase atingiu novo máximo histórico, com um preço médio diário de 117,14€ por MWh.
“O novo recorde de 122,76€ por MWh desta quinta-feira resulta da média das 24 horas do dia, cada uma com preço distinto, mas com uma amplitude de preços relativamente reduzida. Na hora mais barata os produtores de eletricidade do mercado ibérico receberão 119,95€ por MWh produzido, enquanto a hora mais cara terá o custo de 129,81€”, pode ler-se no semanário.
Esta subida deve-se a uma “redução substancial do volume de energia eólica disponível no mercado ibérico (que cai de 110,4 gigawatt hora esta quarta-feira para 61,4 GWh na quinta-feira)”. A redução do vento leva a que o sistema elétrico responda à procura com mais produção hidroelétrica e centrais de ciclo combinado alimentadas a gás natural.
Com o preço do gás natural e das licenças de emissão de dióxido de carbono a manter-se elevado, as elétricas que detêm centrais a gás acabam por cobrar preços altos para produzir.
O Mibel é um mercado marginalista, o que quer dizer que “leva a que todos os produtores que vendem no mercado diário recebam o mesmo pela eletricidade, que corresponderá ao preço cobrado pela última central necessária para satisfazer a procura de eletricidade a cada hora”.
“O preço cobrado pelas centrais hidroelétricas, embora não esteja sujeito ao custo das licenças de emissão nem à compra de gás, acaba por ficar indiretamente “contaminado” pelos custos das centrais a gás, já que parte da produção hídrica vem de centrais com bombagem, que consomem eletricidade para bombear água para as suas albufeiras a uma cota superior, de forma a poderem turbinar a água para a albufeira a jusante”, explica o ‘Expresso’.
“Quanto mais caro é o preço grossista (influenciado pelo elevado custo das centrais a gás), mais alto é o custo dessa bombagem, levando igualmente parte dos produtores hidroelétricos a cobrar mais caro pela sua energia”, acrescenta.




