O secretário-geral dos comunistas prometeu hoje que o XXI Congresso Nacional do PCP, dentro de oito dias, em Loures, vai ser exemplar quanto a medidas de prevenção da covid-19 e manteve o tabu sobre a continuidade como líder do partido.
“O Presidente da República não obstaculizou nem levantou dúvidas ou dificuldades em relação à sua realização [do congresso comunista]”, garantiu Jerónimo de Sousa, à saída de uma audiência no Palácio de Belém, adiantando que tem havido ligação com a Direção-Geral da Saúde na preparação do evento.
O líder do PCP sublinhou que o partido já se decidiu pela redução para metade do número de delegados inscritos e a ausência dos “milhares de convidados” e membros de delegações estrangeiras.
“O nosso congresso vai ser um exemplo demonstrativo de que é possível exercer direitos e liberdades (ato cultural, evento, pequena restauração). Vai demonstrar. Vão ser tomadas todas as medidas sanitárias, em termos de circulação, proteção individual, o que permite dar garantias” de proteção da saúde dos participantes, assegurou.
Questionado insistentemente sobre a sua disponibilidade para continuar à frente do partido que lidera desde 2004, Jerónimo de Sousa reiterou as respostas evasivas que vem dando desde há mais de um ano.
“É o Comité Central que vai ser eleito que elege o secretário-geral. Não se trata de nenhum presidencialismo, trata-se de uma opção que o Comité Central vai ter de tomar. Já disse isto aí 50 vezes, mas repito: posso garantir que não vai ser um problema”, disse.
Além disso, depois da reunião com o Presidente da República, Jerónimo de Sousa deixou claro que o PCP tinha razão em votar contra as novas medidas do Estado de Emergência. «É pela via da proibição, pela via da limitação, que se tentam aplicar essas medidas com todos os efeitos que teve, particularmente numa outra dimensão, que não pode ser esquecida: as consequências para centenas de milhares de trabalhadores.»
Segundo o dirigente comunista, há milhares de micro, pequenas e médias empresas «numa situação dramática», sublinhando o caso da restauração e do recolher obrigatório a partir das 13h em quase 200 concelhos portugueses.
Além da restauração, aponta ainda para a cultura, para os eventos e para outras indústrias que «começam a ter problemas sérios e, no entanto, o Estado de Emergência acabou por prevalecer». Isto sem resolver o problema, acredita o secretário-geral do PCP.
Jerónimo esteve acompanhado pelo líder parlamentar, João Oliveira, no encontro com o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que está a ouvir os nove partidos com assento parlamentar desde terça-feira sobre a pandemia de covid-19, o estado de emergência e o Orçamento do Estado para 2021.
“Aquilo que estou a ser é um militante comunista que procura dar uma contribuição para o reforço do seu partido e continuar a atividade, seja em que circunstância for, na defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo. Essa é a minha disponibilidade, independentemente do grau de responsabilidade que possa assumir” concluiu.













