Amazon sabia que funcionários usavam dados dos fornecedores para impulsionar vendas

Funcionários acediam, sem autorização, aos dados confidenciais dos fornecedores para melhorar as suas vendas. Um documento agora revelado pelo ‘Politico’ mostra que a empresa sabia disso, apesar de anunciar uma política contra esse tipo de procedimentos.

Ana Sofia Ribeiro

Mais de 4.700 funcionários da Amazon terão acedido a dados confidenciais de fornecedores para poderem impulsionar as vendas da empresa. A administração foi avisada em 2015, através de um relatório interno, agora divulgado pelo ‘Politico’, embora o CEO tenha garantido, o ano passado, que a empresa tem uma forte política que proíbe os funcionários de o fazerem.

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Jeff Bezos, responsável pela Amazon, disse, em 2020, que a empresa tem uma política que proíbe os funcionários de usar dados de fornecedores específicos para ajudar a impulsionar as suas próprias vendas. Não quis, no entanto, garantir que a essa política nunca tenha sido violada – palavras que, de acordo com o ‘Politico’, foram cuidadosamente bem escolhidas.

Isto porque um novo documento dá agora conta que, desde então, os trabalhadores da gigante online terão usado informações de terceiros para reforçar os resultados da Amazon, deixando claro que os esforços da empresa para corrigir o problema têm sido fracos.

A Comissão Europeia já abriu inclusivamente uma investigação sobre o caso em novembro de 2020, com resultados preliminares que sugerem que a Amazon violou a lei de concorrência da UE.

Peter Sorber é um dos exemplos. O empresário holandês vendia roupas infantis na Amazon, mas 18 meses depois de configurar a sua loja “Brandkids” na plataforma e inserir os dados de vendas necessários, deu conta de que os seus produtos desapareceram das pesquisas online. “Não podem pedir a um fornecedor que mostre todas as suas estatísticas de vendas e depois que divulguem isso aos seus próprios compradores. Esta é uma competição simplesmente injusta”, referiu Sorber.

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Um porta-voz da Amazon já reagiu e garantiu ao ‘Politico’ que, como todas as empresas, faz auditorias às suas políticas de conformidade e implementa melhorias com base nas conclusões, incluindo “a política de proteção de dados do vendedor interno da Amazon, que limita o uso dos dados do vendedor”.

A polémica não é nova. Já o ano passado o ‘The Wall Street Journal’ avançava que os trabalhadores da Amazon usavam dados dos fornecedores para desenvolver produtos concorrentes, uma prática contrária às políticas declaradas da empresa.

A empresa tem negado sempre, por seu lado, este tipo de procedimentos.

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