Comprar uma casa pode nem atingir 70% do custo de a arrendar. A conclusão é da Remax, que aponta para uma poupança mensal de cerca de 260 euros.
Segundo a consultora imobiliária, a decisão de comprar ou arrendar depende da situção de cada pessoa e do agregado familiar, bem como da zona do país – já que em algumas cidades poderá ser difícil encontrar habitações para arrendamento de longa duração. Ainda assim, a aquisição poderá ser, na generalidade, mais vantajoso uma vez que “pode acarretar um menor esforço financeiro para as famílias do que a opção arrendamento”.
O estudo elaborado pela Remax dá conta de um caso prático, considerando uma renda de 900 euros mensais, referente a um imóvel em Lisboa, num prédio urbano. Neste caso, fazendo os cálculos a 35 anos, ao montante global de 378 mil euros de rendas é possível ainda subtrair a quantia de 17.570 euros, correspondente a benefícios fiscais de 15% das rendas suportadas a descontar no IRS (502 euros/ano). Assim, segundo a consultora, em três décadas e meia, o inquilino teria desembolsado 360.430 euros para usufruir da habitação.
Olhando para o mesmo imóvel, a opção de compra – no pressuposto de que custaria 195 mil euros – resultaria numa renda mais barata, com recurso a crédito bancário a 35 anos, dois titulares, financiamento de 80% do valor da habitação, com spread de 1% e Euribor a seis meses (-0,580%), a que se somam os custos notariais (485,92 euros), o Imposto Municipal sobre as Transmissões (4.562,78 euros), imposto de selo sobre a aquisição (1.560 euros) e imposto de selo sobre o crédito (936 euros).
Isto significa que, nos anos seguintes, além da amortização dos 156 mil euros pedidos ao banco, com o seguro de vida (4.329,50 euros), o seguro multirriscos-habitação (1.241,10 euros), o Imposto Municipal sobre Imóveis (20.475 euros) e o condomínio (8.400 euros), o total a pagar seria de 250.491 euros pela aquisição do imóvel residencial.
“Em termos de rácio de compra face ao arrendamento, na análise verifica-se que a opção de compra torna-se muito mais vantajosa quando comparados todos os imóveis habitacionais, pois a existência de muitas moradias nas zonas interiores do país com preços relativamente acessíveis, faz descer significativamente a diferença de preços entre as duas modalidades”, aponta a Remax. O concelho de Lisboa parece ser o menos atraente para essa comparação, embora seja a região com mais e melhor representatividade de stock.

Segundo a Remax, o rácio de moradias a nível nacional é de 143,48, uma vez que existem muitas moradias nos distritos e concelhos do interior do país, com preços mais acessíveis para compra.
Quanto a Lisboa, o rácio é também bastante atrativo nas moradias (149,20), mas o volume de investimento é substancialmente elevado. Este cenário é justificado com o facto de o preço mediano das moradias à venda rondar os 932 mil euros e de haver poucas moradias disponíveis para arrendamento no concelho.

Beatriz Rubio, CEO da Remax, sublinha que oara cada opção, seja comprar ou arrendar, há vantagens mas que a aquisição de uma habitação própria tem benefícios que sobressaem. «Desde logo as taxas Euribor, que estão em mínimos históricos, assim como a atual competição pelo spread mais baixo entre os bancos. É certo que arrendar sai mais caro do que comprar e sendo uma casa um bem de primeira necessidade, será sempre vendível», afirma a responsável.
Beatriz Rubio considera que «ter uma casa é possuir uma reserva de capital, que traz segurança e estabilidade; permite ainda flexibilidade de opções como mudar o espaço, as divisões, as cores e até dar-lhe outro propósito, como arrendar a terceiros e ainda trata-se de uma poupança a longo prazo».














