Os trabalhadores da Eurest, que está a realizar um despedimento coletivo, estarão em greve no próximo dia 26 de março, segundo Miguel Ribeiro, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.
Em declarações à Lusa, no dia em que se realizou um protesto no refeitório da Tabaqueira, contra o despedimento coletivo de nove trabalhadores da Eurest, o dirigente sindical adiantou que os colaboradores do grupo, que explora cantinas, bares e outros, irão estar em “greve nacional no dia 26 deste mês”, incluindo uma concentração em frente à Assembleia da República.
Em causa está um despedimento coletivo que a empresa está a levar a cabo e que abrange 146 trabalhadores, incluindo os da Tabaqueira.
Miguel Ribeiro diz que este processo “não tem justificação nenhuma”, visto que “os trabalhadores continuaram a vir comer” ao refeitório “e cerca de 40 reformados da tabaqueira continuam a vir buscar a comida em ‘take-away’”.
O dirigente sindical realçou ainda que “aumentaram algumas refeições ao sábado devido às horas extraordinárias” que a Tabaqueira tem feito.
Além dos nove trabalhadores alvo do despedimento coletivo, “há dois a termo que já foram informados que iam sair quando acabar o contrato. De 26 trabalhadores passariam para 15”, referiu.
A Eurest vai avançar com o despedimento coletivo de 146 trabalhadores, adiantou a Federação dos Sindicatos da Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht), no dia 08 de março, numa informação confirmada pela empresa.
Em comunicado, a Fesaht disse que a Eurest, pertencente ao grupo inglês Compass, “depois de recentemente ter feito um despedimento coletivo de 116 trabalhadores, informou hoje [dia 08 de março] que é intenção da empresa proceder ao despedimento coletivo de 146 trabalhadores, 141 dos quais mulheres”.
“Confirma-se [que] estamos a levar a cabo um despedimento coletivo de colaboradores que estão afetos a empresas que fecharam e que não temos qualquer perspetiva de quando possam reabrir (ou se vão reabrir); outros pertencem a unidades que reduziram radicalmente o número de refeições; outros são de áreas de negócio que encerramos (ex: ‘vending’) e, finalmente, alguns estavam em quadros excedentários, mas a empresa não consegue continuar a manter”, indicou a Eurest, contactada pela Lusa, sem confirmar os números.
A Fesaht, por sua vez, garantiu que a Eurest “tem um volume de negócios superior a 100 milhões de euros anualmente, dá milhões de lucros todos os anos, recebeu e continua a receber apoios do Estado neste período de pandemia”.
A empresa contrapõe e salienta que não está “a receber qualquer apoio”, recordando que nesse caso não poderia “estar a conduzir um despedimento coletivo”.
Os representantes dos trabalhadores indicam que “não há nenhum motivo para a empresa recorrer a despedimentos coletivos”, salientando que “não há mais nenhuma empresa do setor das cantinas e refeitórios com processos de despedimento coletivo”.
“Tomemos como exemplo as cantinas do IEFP: houve concurso público no final do ano 2020; a empresa já explorava o serviço de refeições; se entendia que não era rentável, não concorria”, referiu.
De acordo com a Fesaht, “neste processo, a empresa inclui novamente trabalhadores das cantinas, bares, ‘vending’ [máquinas de venda automática] e cafetarias de fábricas, institutos públicos”, bem como “faculdades públicas e privadas, escolas, estações ferroviárias, CTT, áreas de serviço e restauração pública”.
A Fesaht garantiu que, “com este despedimento, a Eurest despede 262 trabalhadores, sendo 238 mulheres”.














