O Governo apresentou na quinta-feira o plano de desconfinamento do país e os partidos estão a reagir às medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa. Conheça agora a posição de cada um e aquilo que defendem para esta reabertura, que será “a conta gotas”.
Bloco de Esquerda
O líder parlamentar bloquista defendeu hoje a necessidade “testar em massa”, “rastrear com recursos” e acelerar a vacinação, para que haja um desconfinamento em segurança das restrições impostas para combater a pandemia de covid-19.
“É necessário que, para lá do plano [de reabertura], a execução esteja à altura das necessidades do país. Testar em massa não pode ser apenas um objetivo que fique no papel porque, desde janeiro, o Governo diz que o quer fazer, mas ainda não o fez”, lamentou Pedro Filipe Soares, nos Passos Perdidos do parlamento.
“Rastrear com recursos suficientes não pode ficar no papel. Já há vários meses que o Governo diz que pretende ter uma capacidade de rastreio alargada, mas esse rastreio não tem acompanhado a situação”, continuou o deputado do BE.
PEV
Também aqui foi defendida a testagem massiva da população. A deputada do PEV, Mariana Silva, defende que o Governo ter especial enfoque no rastreamento, na vacinação e na “testagem massiva”, que até à data, apesar das promessas “ainda não aconteceu”. “O rastreio deve fortalecido para não ser perder de vista os infetados”, considera.
Para a responsável a “dificuldade não é fazer um plano”, mas é cumpri-lo e ser “consequente com as medidas”. “O Governo não pode passar a responsabilidade para as pessoas”, considerou Mariana Silva em declarações no Parlamento.
Adicionalmente, o PEV apoia um reforço nos transportes públicos, bem como no apoio social e mencionou concretamente os profissionais do setor da cultura, que “precisam de trabalhar”. “Portugal também necessita da cultura para fazer face aos duros meses que tem pela frente”, afirmou.
Quanto às escolas, importa que reabram “em segurança, cumprindo as regras”, como o “número de pessoas por espaços fechados”.
PAN
O porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, fez um balanço do plano de desconfinamento apresentado ontem por Costa em “três notas”. Em primeiro lugar, vê “como positivo o facto de os níveis de desconfinamento estarem indexados em função da situação epidemiológica, avaliada de 15 em 15 dias”.
Porém, André Silva destacou dois aspetos menos positivos. Nomeadamente, o facto de a reabertura das creches, ensino pré-escolar e primeiro ciclo não ser acompanhada de uma “testagem massiva aos agentes educativos”. “Trata-se de um erro que o Governo não aprendeu no passado”, considerou o deputado.
Em terceiro e último lugar, António Costa mostrou-se “despreocupado com os transportes públicos”, que, no entanto, “são fundamentais para conter contágios e surtos”, deu ainda conta o porta-voz do PAN.
PCP
O PCP discorda do plano de desconfinamento “a conta-gotas” apresentado pelo Governo, que apelidou de conservador, e afirmou hoje que deveria “ter ido mais longe”, com a reabertura total das escolas e do pequeno comércio.
As medidas do Governo, anunciadas pelo primeiro-ministro, vão “acentuar a crise económica e social, com o aumento do desemprego, o encerramento de milhares de micro, pequenas e médias empresas (MPME) e o agravamento do empobrecimento e das desigualdades”, afirmou, em conferência de imprensa, em Lisboa, Jorge Pires, da comissão política do PCP.
Questionado sobre as áreas em que o executivo poderia ter “ido mais além”, Jorge Pires deu o exemplo das escolas, que deveriam reabrir em todos os graus de ensino, com aulas à distância desde janeiro como forma de conter a epidemia de covid-19, e também no pequeno comércio.
É um plano de desconfinamento “conservador”, sintetizou.
CDS
O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, defendeu hoje que o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo “privilegia velocidade à razoabilidade” e “deveria obedecer a critérios de prudência e gradualismo”.
“A opinião do CDS face a este plano de desconfinamento é que ele privilegia a velocidade à razoabilidade. O Reino Unido apresentou um plano de desconfinamento, sendo que lá a vacinação está muito mais avançada e a testagem muito mais massificada, e o calendário é muito mais espaçado para as diferentes atividades, portanto é mais cauteloso e prudente do que aquele que foi apresentado pelo Governo”, afirmou o líder centrista.
Francisco Rodrigues dos Santos falava aos jornalistas em Lisboa, depois de uma reunião com a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.
O presidente do CDS-PP apontou três críticas ao plano de desconfinamento apresentado pelo primeiro-ministro na quinta-feira à noite, entre as quais o facto de creches, pré-escolar e escolas do primeiro ciclo reabrirem “quando ainda não está preparada e implementada no terreno uma estratégia de testagem de profissionais docentes e não docentes”.
Chega
O líder do Chega, André Ventura, diz que o plano do Governo para reabrir o país é “confuso” e gera “insegurança” e um “estado de indefinição”.
“O plano torna-se impercetível para a maioria dos portugueses, o próprio António Costa teve dificuldade em explicar e apresentar este plano, o que significa que a clareza é praticamente zero, o risco de voltar atrás em cada fase é enorme e isto gera um enorme sentimento de insegurança aos operadores económicos, às empresas, às famílias, aos operadores do turismo, às escolas e ao comércio do país inteiro”, disse o deputado.
“O Governo poderia ter feito melhor e sobretudo deveria ter um plano com clareza, transparência e que com a maior velocidade possível desse um sinal de reabertura à sociedade portuguesa. Assim, continuaremos neste estado de indefinição durante mais semanas e muita da economia portuguesa pode não sobreviver”, acrescentou Ventura.
PSD
O presidente do PSD, Rui Rio, admitiu em relação ao plano de desconfinamento ontem apresentado por António Costa, que só faria uma alteração relacionada com as escolas para segunda-feira: “Eu teria sido um pouco mais prudente na questão das escolas e não teria incluído já o 1.º ciclo do ensino básico. Eu atrasaria por 15 dias o 1.º ciclo se os indicadores, daqui por 15 dias o permitirem e admito que se assim fosse feito os indicadores o permitiriam”, defendeu.
“Digo isto por uma razão: é que o valor R, que mede a velocidade a que a pandemia está a crescer ou a decrescer, está abaixo de 1, mas tem-se degradado e aproximado do 1 e portanto é preciso perceber bem porque é que em confinamento o R se tem degradado quando, em confinamento, o R devia estar sempre a melhorar”, argumentou.
“Agora que vamos desconfinar corremos o risco de o R se degradar mais e passar o 1 e aí tudo volta ao princípio… Mas a verdade é que o país não pode estar neste impasse permanente, é preciso ter alguma ousadia, foi isso que agora foi feito. Mas nesse particular, e sabemos a força que as escolas têm para multiplicar o vírus, por efeitos diretos e indiretos, eu aí teria esse cuidado. De resto, pela maneira como está, corresponde finalmente ao Governo ter feito da forma como há algum tempo temos vindo a dizer que devia ser”, explicou.
Em termos globais, Rio mostrou-se favorável ao que foi anunciado. “Esta metodologia é a que já deveria ter sido adotada há mais tempo, mas é melhor agora do que nunca, acho que aqui o país tem as balizas certas para saber como vai evoluir”, disse, depois de analisar o que fora revelado em traços gerais.
IL
A Iniciativa Liberal considerou hoje que o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo “é tardio”, devia ser “mais célere” e continua a ter “demasiados muros restritivos” à liberdade dos cidadãos, saudando a reabertura parcial das escolas.
“O plano apresenta a boa notícia da abertura das creches, pré-escolar e escolas do primeiro ciclo para a semana. É um muro derrubado. Faltam outros (…) Para a Iniciativa Liberal, todas as escolas deveriam estar abertas, com a devida testagem massiva, nomeadamente aos profissionais que lá trabalham”, defendeu o partido, numa posição oficial enviada à Lusa.
Para a IL, partido que tem um deputado no parlamento, o presidente João Cotrim Figueiredo, o plano apresentado na quinta-feira pelo primeiro-ministro “é não só tardio, como continua a ter demasiados muros restritivos das liberdades dos cidadãos e que continuam a causar danos sociais e económicos”.
“Muitos empresários portugueses continuam também a ser impedidos de trabalhar, embora tenham agora uma pequena luz ao fundo do túnel que, como todos sabemos, não paga contas”, critica o partido.
[Em atualização]











