Enfermeiros portugueses são notícia lá fora. «Exaustos, querem salários não aplausos»

Os enfermeiros portugueses são notícia na imprensa internacional, mais concretamente numa reportagem da ‘Reuters’, cujo título é «Estão exaustos, querem salários, não aplausos».

Simone Silva

Os enfermeiros portugueses são notícia na imprensa internacional, mais concretamente numa reportagem da ‘Reuters’, cujo título é «Estão exaustos, querem salários, não aplausos». No artigo, a agência de notícias aborda o caso de Inês Lopes, uma enfermeira do Hospital de São José, em Lisboa.

«Políticos, celebridades e pessoas de todo o país passaram grande parte da pandemia a elogiar os profissionais de saúde da linha da frente, às vezes saindo das suas casas para aplaudi-los», começa por ler-se no artigo, que sublinha que estes atos têm aumentado «a frustração» na comunidade de saúde «devido aos baixos salários e à falta de oportunidades de subir na carreira».

«Eles (os políticos) dizem que somos os melhores do mundo, mas não há aumento de salários», refere Inês Lopes, citada pela ‘Reuters’. «Bater palmas e agradecer não vai resolver nada», acrescentou sublinhando que muitos enfermeiros trabalham em dois empregos para sustentar as suas famílias.

A equipa da Reuters acompanhou o quotidiano da enfermeira e de muitos outros que trabalham naquela unidade hospitalar. «No Hospital São José, um dos maiores de Lisboa, Inês junta-se a uma equipa rotativa de enfermeiros, que trabalham sem parar, num longo corredor com quartos lotados de pacientes COVID-19», escreve.

«Embora visivelmente cansados, os enfermeiros rapidamente colocaram o equipamento de proteção e entraram nos quartos para fornecer medicamentos e limpar os pacientes, a maioria dos quais estava inconsciente», acrescenta a agência de notícias.

Continue a ler após a publicidade

Existem cerca de 45.500 enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS), divididos em três categorias profissionais. Quase metade, incluindo Inês Lopes, ganham 1.205 euros por mês, sem contar com os impostos. Depois desse desconto, alguns levam para casa apenas 980 euros, só 315 euros acima do salário mínimo, de acordo com a Ordem dos Enfermeiros (OE).

O salário da enfermeira mantém-se o mesmo desde que começou a trabalhar na área. Agora, Inês prepara-se para o impacto económico da pandemia, que foi mais difícil de combater devido à falta de enfermeiras e médicos, reporta a ‘Reuters. «Já houve muitos governos, mas é sempre a mesma coisa. Todos estão muito em baixo», disse a responsável à agência de notícias.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.