Processo de destituição de Trump começa hoje. Ex-Presidente dos EUA é acusado de «incitar à insurreição»

O julgamento do ‘impeachment’ de Donald Trump começa esta terça-feira, um mês depois de o antigo Presidente dos Estados Unidos ter incitado à insurreição na sequência da invasão do Capitólio, no dia 6 de janeiro.

Mara Tribuna
Fevereiro 9, 2021
6:45

O julgamento do ‘impeachment’ de Donald Trump começa esta terça-feira, um mês depois de o antigo Presidente dos Estados Unidos ter incitado à insurreição na sequência da invasão do Capitólio, no dia 6 de janeiro.

Dezenas de manifestantes pró-Trump atacaram o edifício em Washington, no dia em que o Congresso norte-americano certificava a vitória do democrata Joe Biden nas presidenciais de 3 de novembro. Vários apoiantes rumaram ao Capitólio depois de um discurso do então Presidente cessante que incitava a “combaterem até ao inferno” e resistirem a aceitar os resultados das eleições.



Depois, seguiu-se uma tentativa de insurreição, com os apoiantes de Trump a invadirem o edifício do Congresso, interrompendo a certificação de Biden. O episódio obrigou os congressistas a abandonarem o edifício e provocou a morte de, pelo menos, cinco pessoas.

Democratas e alguns republicanos juntaram-se nas críticas à atuação de Donald Trump, a quem apontam o dedo como autor moral deste motim, e, por isso, avançaram com um processo de destituição, que já foi aprovado na Câmara dos Representantes e seguiu para o Senado.

O ex-Presidente dos EUA é acusado de “traição de proporções históricas”, numa acusação revelada pelos procuradores democratas para o julgamento político que se inicia hoje no Senado.

A acusação no julgamento político de Donald Trump alega que o ex-Presidente colocou em risco a vida de todos os membros do Congresso, quando impeliu uma multidão de apoiantes, “como um canhão carregado”, em direção ao Capitólio.

“O Presidente incitou uma multidão violenta para atacar o Capitólio dos Estados Unidos”, dizem os procuradores, que consideram que o desejo de Trump de “permanecer no poder a qualquer custo é uma traição de proporções históricas, que requer uma condenação” no Senado.

Esta segunda-feira, na véspera do julgamento, os advogados de Trump negaram que o ex-Presidente tenha incentivado os ataques ao Capitólio. “No discurso de Donald Trump foi notável a ausência a qualquer referência ou incentivo a uma insurreição, motim, ação criminal ou quaisquer atos de violência física de qualquer natureza”, apontaram.

Recorde-se que Trump já foi enfrentou um processo de destituição movido pelos democratas, em dezembro de 2019, por alegações de que tinha procurado indevidamente a ajuda da Ucrânia para aumentar as hipóteses de reeleição. Enfrentou duas acusações – abuso de poder e obstrução ao Congresso –, mas foi posteriormente absolvido pelo Senado, na altura liderado pelos republicanos.

A Constituição dos Estados Unidos declara que um Presidente “será destituído do cargo em caso de ‘impeachment’ e condenação por traição, suborno, ou outros crimes ou delitos graves”.

De que serve realizar um julgamento de ‘impeachment’ para um ex-Presidente? Existe um precedente para o ‘impeachment’ de antigos governantes, chama-se um “‘impeachment’ tardio”. Embora a principal pena neste julgamento seja a destituição do cargo, os senadores poderiam votar para impedir Trump de exercer no futuro.

Neste sentido, recorde-se que Donald Trump ainda não excluiu uma possível recandidatura à presidência, em 2024.

[Com Lusa]

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