Com as primeiras campanhas de vacinação contra a covid-19 a arrancar, uma das dúvidas que se tem colocado é o nível de eficácia das vacinas contra as diferentes mutações que têm surgido recentemente, como a do Reino Unido, África do Sul e Brasil. Uma forma de combater as novas estirpes pode passar por respeitar a dose dupla que algumas vacinas requererem, como a da Pfizer/ BioNTech ou Moderna, considera um especialista.
Segundo o epidemiologista Fernando Garcia, presidente do Comité de Ética do Hospital Carlos III, em Espanha, não respeitar esta dose dupla (que é administrada com 21 dias de intervalo no Pfizer e 28 dias a seis semanas no Moderna) não só envolve um risco de infeção futura, como pode causar novas mutações no vírus.
Numa entrevista à agência de notícias espanhola EFE, Fernando Garcia explica que o não cumprimento do calendário obrigatório e a não administração da segunda dose da vacina pode contribuir para “a permanência do vírus e das suas variantes, bem como para o aparecimento de novas mutações”.
O perito adverte ainda que, dessa forma, “os benefícios da vacinação são perdidos e o problema é que o grau de imunidade de uma única inoculação é desconhecido”. Assim, é bastante crítico à ideia de uma única dose.
Na mesma linha, Marcos Lopez Hoyos, da Sociedade Espanhola de Imunologia, disse também à EFE que se os prazos estabelecidos pelas farmacêuticas não forem cumpridos, “a eficácia não está assegurada”. Além disso, considera que as autoridades de saúde não podem “enviar a mensagem de que a vacinação pode ser adiada” porque isso é “um grande erro”.
Alguns países da Europa, como o Reino Unido, estão a atrasar a segunda toma da vacina em até 12 semanas, para conseguirem vacinar mais pessoas numa primeira fase. No entanto, esta alteração não é amplamente recomendada, inclusivamente pelas próprias empresas farmacêuticas.
A Pfizer e a BioNTech rejeitaram este procedimento e alertaram, numa declaração conjunta, que “tanto a segurança como a eficácia da vacina não foram avaliadas em esquemas de vacinação diferentes”, uma vez que a maioria dos participantes dos ensaios foram imunizadas ao receberam ambas as doses.











