Gigantes farmacêuticas não estão prontas para a próxima pandemia, alerta relatório

Dez das doenças mais infeciosas do mundo identificadas pela OMS que não estão a ser tratadas pelas empresas farmacêuticas.

Mara Tribuna

As maiores empresas farmacêuticas do mundo não estão preparadas para a próxima pandemia, apesar da resposta crescente à covid-19, advertiu um relatório independente, que aponta que dez das doenças mais infeciosas do mundo identificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que não estão a ser tratadas pelas empresas farmacêuticas.

Jayasree K Iyer, o diretor executivo da Fundação Access to Medicine, uma organização sem fins lucrativos financiada por vários governos europeus, destacou um surto do vírus Nipah na China, com uma taxa de mortalidade de até 75%, como potencialmente o próximo grande risco pandémico.



“O vírus Nipah é outra doença infeciosa emergente que causa grande preocupação. Pode explodir a qualquer momento”, alertou, citado pelo The Guardian. “A próxima pandemia pode ser uma infeção resistente aos medicamentos”.

O Nipah pode causar graves problemas respiratórios e encefalite (inchaço/inflamação do cérebro) e tem uma taxa de mortalidade de 40% a 75%, dependendo de onde o surto ocorre. Os morcegos frugívoros são o seu hospedeiro natural.

É uma das 10 em 16 doenças infeciosas identificadas pela OMS como sendo o maior risco para a saúde pública. No entanto, as empresas farmacêuticas pouco estão a fazer em relação a isso, de acordo com o relatório bienal da fundação. Também incluem a febre do Vale do Rift (comum na África subsaariana), juntamente com Mers e Sars – doenças respiratórias que são causadas por coronavírus e têm taxas de mortalidade muito mais elevadas do que a covid-19, mas são menos infeciosas.

Quatro produtos farmacêuticos estão, entretanto, em desenvolvimento para o vírus chikungunya, transmitido por mosquito que se espalhou rapidamente nos últimos anos, pela América, África e Índia: uma vacina, um medicamento, uma ferramenta de diagnóstico e um novo spray inseticida, que também funciona para a dengue e Zika.

O relatório diz que apesar dos avisos de que os novos coronavírus poderiam causar uma emergência sanitária global, a indústria farmacêutica, bem como a sociedade em geral, estava mal preparada para a pandemia de covid-19.

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