Audi TT 2.0 TDI

[easingslider id=”14687″] Quando estive presente na apresentação da nova geração do Audi TT, a terceira, não consegui deixar de achar curiosa a abordagem que o departamento de marketing da marca de Ingolstadt adoptou para a mesma. Durante aquelas dezenas de minutos que durou o evento, senti, amiúde, exaltação nos responsáveis da Audi pelo facto do novo Audi TT integrar de série, um painel de instrumentos totalmente digital, com uma diagonal de 12,3”, uma resolução de 1440 x por 540 pixels e integrar uma placa gráfica Tegra 3, produzida pela Nvidia. Não foram também esquecidos os faróis dianteiros, que são…

Joao Botelho

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Quando estive presente na apresentação da nova geração do Audi TT, a terceira, não consegui deixar de achar curiosa a abordagem que o departamento de marketing da marca de Ingolstadt adoptou para a mesma. Durante aquelas dezenas de minutos que durou o evento, senti, amiúde, exaltação nos responsáveis da Audi pelo facto do novo Audi TT integrar de série, um painel de instrumentos totalmente digital, com uma diagonal de 12,3”, uma resolução de 1440 x por 540 pixels e integrar uma placa gráfica Tegra 3, produzida pela Nvidia. Não foram também esquecidos os faróis dianteiros, que são sempre, pelo menos, de xénon, mas que podem ser, em opção, totalmente em LED, ou mesmo LED Matrix. A juntar a isto, há os “piscas” com acendimento progressivo e mais uma série de gadgets.
Passada esta primeira estupefação, voltei a ficar algo baralho quando ouvi várias referências á versão Diesel, sobre qual a Audi tem grandes expectativas de vendas e espera que seja a mais importante para o mercado.
Standaufnahme    Farbe: Scubablau    Audi TT:Das Fahrzeug wird noch nicht zum Kauf angeboten. Es besitzt noch keine Gesamtbetriebserlaubnis und unterliegt daher nicht der Richtlinie 1999/94/EG. Vorlaeufige Werte: Kraftstoffverbrauch kombiniert in l/100 km: 7,1 - 4,2; CO2-Emission kombiniert in g/km: 164 - 110
Cinema no automóvel
Olhava para as imagens saídas do projector e lia palavras como “desportivo” e, por isso, não conseguia entender como pode um automóvel que, pensava eu, tinha o foco na dinâmica, ser tão focado na panóplia de gadgets. Mas não chegou a ser preciso perder noites de sono para entender que, de facto, o mercado automóvel mudou muito nos últimos anos. Todos aqueles que, como eu, nasceram entre os anos 70 e finais de 80 do século passado, cresceram numa altura em que começaram a aparecer coisas tais como o Spectrum, o Commodore Amiga, a Family Games, a Mega Drive, o Game Boy, entre outros. Mais tarde, vimos aparecerem os primeiros telefones transportáveis, que, mais tarde, passaram a ser mesmo telemóveis e, mais recentemente, os smartphones e os tablets, sem quais já não sabemos viver.
A partir daqui, se tivermos em conta que grande parte dos compradores de um automóvel como o Audi TT se enquadra nesta faixa etária, até pelas limitações de um veículo cuja lotação está, na realidade, restrita a dois ocupantes, expressões como “Tegra 3”, “MMI Touch”, “Google Maps”, “LTE”, ou “WLAN” serão bastante aliciantes e capazes de cativar atenções. Eu, que serei, porventura, uma ave-rara, não consigo entender a associaçâo entre estes elmentos e a essência de um automóvel desportivo, mas o problema deve ser mesmo meu. Vamos, portanto, olhar para o novo Audi TT como um automóvel adaptado ao que o mercado deseja.
MQB é mais uma sigla, mas que, pelo menos desta vez, não representa nada relacionado com luzes, ou ecrãs tácteis. Quer dizer, apenas, que a terceira geração recorrer à plataforma modular compacta do Grupo Volkswagen, partilhada com a sétima geração do Golf, por exemplo. Tal como acontecia com a segunda geração, apresentada em 2006, a carroçaria usa a designação Audi Space Frame (ASF), o que significa, na prática, que recorre a uma estrutura em aço, excepto na estrutura do tejadilho e embaladeiras, que são em alumínio. Este material é também utilizado em todos os painéis da carroçaria, excepto que recorrem, naturalmente, ao plástico. Graças a isto, a Audi reclama uma redução de peso face à anterior, sendo que, no caso da versão de entrada, ficou 50 kg mais leve.
A imagem, essa, continua bastante similar ao que sempre foi, identificando-se facilmente como um Audi TT, principalmente devido à silhueta. Agora, graças à tal presença em massa das novas tecnologias, os faróis ganham o principal destaque, principalmente quando estão acesos e nos brindam com a sua requintada assinatura luminosa. Ainda que a cor da unidade testada não seja particularmente apelativa, continuo a achar o Audi TT um automóvel muito interessante visualmente e que se sente ser especial neste capítulo.
Perfeita harmonia
Mas é o habitáculo que nos chama, depois de tudo o que já lemos e vimos. E, de facto, as expectativas não ficaram defraudadas. Não são precisos mais do que meia-dúzia de segundos para ficarmos completamente rendidos ao extremo bom-gosto aplicado no desenho do interior do Audi TT. Apesar de toda as referências ao painel de instrumentos, denominado Virtual Cockpit, não pude deixar de deliciar-me com os controlos do sistema de climatização, integrado nas saídas de ventilação, num pormenor que julgava ainda estar a uma década de distância para ser uma realidade. Sendo os controlos completamente minimalistas, podia esperar-se uma ergonomia perfectível, mas não é isso que acontece, sendo fáceis e rápidos de perceber.
Audi TT Coup
Encontrada uma boa posição de condução, que nunca chega a ser perfeita, pelo facto dos pedais estarem demasiados avançados para a amplitude de regulação em profundidade da coluna de direcção, pode, finalmente, dedicar-me ao tão propalado painel de instrumentos, que é de série em toda a gama. Olho para o volante e revejo os mesmos botões do restantes Audi, acontecendo o mesmo com o sistema MMI. Fico a pensar como controlar aquela ecrã, se não há botões específicos, mas não demoro a concluir que o funcionamento é exactamente igual ao dos seus irmãos. Não é exagero dizer-se que qualquer pessoa minimanente familiarizada com a interface Audi precisa, no máximo, de cinco minutos para controlar toda e qualquer função do Audi Virtual Cockpit, seja através do volante, ou do comando rotativo do MMI. O sistema é de uma simplicidade desconcertante, havendo ainda, no volante, o botão “View”, que permite alternar o modo de visualização de forma bastante fácil e rápida.
A jóia da coroa do painel de instrumentos é o modo de navegação, quando combinado, obviamente, com este opcional, que permite ver o mapa a toda a largura, ficando os instrumentos reduzidos e colocados nos dois cantos inferiores. Uma experiência totalmente nova e, de certa forma, marcante, principalmente para todos aqueles que vibram com o mundo das novas tecnologias. Quando criada uma ligação de dados, que, no caso da unidade ensaiada, é feita a partir do modem colocado no porta-luvas, onde se insere um cartão SIM, podemos usar as funções do Google Earth, incluindo o delicioso modo Street View. Para que não haja distracções na condução, esta última função está desabilitada em andamento. O mesmo objectivo tem o painel táctil do MMI, que permite escrever com o dedo de forma bastante fácil e inteligente, servindo essa função para fazer pesquisas sobre qualquer função a bordo, ou mesmo locais sobre os quais não sabemos bem como encontrar. Se gosta de brincar com gadgets, facilmente ficará fã do Audi TT e do seu fantástico ecrã digital.
Audi virtual cockpit    Verbrauchsangaben Audi TT:Kraftstoffverbrauch kombiniert in l/100 km: 7,1 - 4,2;CO2-Emission kombiniert in g/km: 164 - 110
Quem é o apaixonado por automóveis que anseia por conduzir um Diesel, mesmo com 184 cv? Eu não sou um deles, com toda a certeza.
Tenho de confessar que a experiência não começou propriamente da melhor forma. Recebo a chave, sento-me ao volante, rapidamente encontro uma posição de condução perfeita, enquanto me volto a deliciar com o fantástico habitáculo, dou ordem de marcha ao motor Diesel e… Tenho vontade de sair lá para fora. O habitáculo é invadido violentamente pelo ruído do bloco 2.0 TDI, que ainda consegue transmitir várias vibrações em todos os comandos, talvez potenciadas pela estrutura em alumínio do Audi TT, que não é comum aos outros modelos que fazem uso da plataforma MQB. Lá respiro fundo e arranco. Como seria de esperar, a facilidade de utilização salta logo à vista, já que o Audi TT se move com imensa simplicidade, o motor é cheio desde os baixos regimes e o conjunto caixa/embraiagem revela a habitual eficácia dos modelos do Grupo Volkswagen, fazendo parecer o mais inapto dos condutores em alguém extremamente talentoso. Os primeiros quilómetros ao volante do Audi TT 2.0 TDI são percorridos numa estrada nacional, numa toada calma, altura em que o motor Diesel se mostra muito à-vontade, pela imensa disponibilidade de binário, que nos permite rolar na última relação de caixa, com pouca carga de acelerador, atenuando o ruído a bordo e rubricando consumos notáveis. Tudo isto é potenciado pelo modo Efficiency, ainda que o mesmo retire bastante vigor ao bloco 2.0 TDI, fazendo parecer que os 184 cv não estão lá todos. O modo Dynamic resolve o problema, mas activa o artificial efeito sonoro do escape, que nunca consegue fazer esquecer que estamos perante um motor Diesel. Aliás, confesso que até o acho bastante incomodativo. O melhor é definir o motor e o escape no modo Individual. Ainda na estrada nacional, o Audi TT despacha ultrapassagens com imensa facilidade e nem mesmo o longo escalonamento das últimas relações de caixa nos obriga a recorrer à mesma com demasiada frequência, fazendo de toda a condução um descanso. Bem, um descanso é um pouco relativo, já que a suspensão S Line presente na unidade ensaiada é pouco amiga da coluna, transmitindo todas as irregularidades do asfalto.
O rei da auto-estrada
Deixando para trás a estrada nacional, foi hora de seguir por uma das menos movimentadas auto-estradas do país, o que se tornou no momento ideal para perceber que é aqui que esta versão do Audi TT se sente como peixe na água. Como um longo escalonamento de caixa e um motor cheio de binário e boa relação peso-potência, é com imensa facilidade que o TT 2.0 TDI faz elevadas velocidades de cruzeiro, sendo bastante rápido a superar, no velocímetro, os 241 km/h anunciados como valor de velocidade máxima. Tudo isto é acompanhado por um excelente controlo dos movimentos da carroçaria, o que transmite a confiança suficiente para abordarmos toda e qualquer encadeado de curvas sem abrandar o ritmo, que já é muito elevado. Apesar de económico, não há milagres quando se anda “a fundo”, sendo por isso natural ver o computador de bordo do Audi TT 2.0 TDI assinalar médias acima dos 13 l/100 km.
Já mais calmo, a circular pela urbe, percebe-se que o modelo possa ser, entre os três, a escolha da maioria dos consumidores. Muito sólido, ainda que demasiado firme, o TT caracteriza-se pela imensa facilidade de condução, rubricando consumos na ordem dos 6 l/100 km.
O Audi TT 2.0 TDI não oferece grandes momentos de diversão ao volante, mas continua a transmitir uma imagem de bom-gosto e sofisticação, que se mistura com uma excelente relação entre performances e custo de utilização. Não é nada barato e traz uma parca lista de equipamento de série, mas é o preço a pagar para ostentar as quatro argolas no capot.
 
FICHA TÉCNICA

Motor
Tipo 4 cilindros em linha, long., inj. common-rail, turbo
Cilindrada 1968
Diâmetro x curso (mm) 81,0×95,5
Taxa compressão 15,8:1
Potência máxima (cv/rpm) 184/3500-4000
Binário máximo (Nm/rpm) 380/1750-3250
Transmissão e direcção
Tracção Dianteira
Caixa Manual de 6 velocidades
Direcção Pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Dimensões e pesos
Comp./largura/altura (mm) 4177/1832/1353
Distância entre eixos (mm) 2505
Largura de vias fte/tras. (mm) 1572/1552
Travões fr/tr. Discos ventilados/discos
Peso (kg) 1340
Capacidade da bagageira (l) 305
Depósito de combustível (l) 50
Pneus série 225/50 R17
Pneus do modelo ensaiado 245/40 R18
Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s) 7,1
Velocidade máxima (km/h) 241
Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 3,7/5,1/4,4
Emissões de CO2 (g/km) 114
Preço (Euros) 47.590
Versão ensaiada (Euros) 56.850

 
Equipamento
Série
Faróis de xénon plus (inclui lava-faróis e luzes de dia)
Farolins traseiros em LED
Retrovisores exteriores elétricos
Jantes de liga leve de 17″
Sistema de controlo da pressão dos pneus
Ar condicionado automático
Volante desportivo multifunções, em couro
Bancos dianteiros desportivos com regulação em altura
Bancos dianteiros desportivos
Sistema ISOFIX no banco do passageiro dianteiro
Airbag do passageiro desligável
Airbags laterais dianteiros com airbag de cortina
Audi Drive Select
Sensores de estacionamento traseiros
Audi Music Interface
Interface Bluetooth
Pacote Connectivity
Radio MMI
Opcionais da versão ensaiada
Audi sound system (€305)
Alarme volumétrico com proteção anti-reboque (€480)
Cruise control (€345)
Estofos em tecido/Couro Fine Nappa com logótipo S line embutido
Jantes de liga leve 8,5Jx18 com 5 raios paralelos e pneus 245/40 R 18 (€240)
Pacote desportivo S Line (€2795)



  • Jantes de liga leve 8,5Jx18 com 10 raios em V e pneus 245/40 R 18 (C6C).
    Suspensão desportiva S Line
    Bancos desportivos S Line com apoio lombar eléctrico
    Bancos S Line em combinação tecido/pele com o logotipo S embutido no encosto de cabeça
    Interior, tablier e forro do tejadilho em preto
    Inserções decorativas em alumínio escovado mate na consola central e no porta-luvas.
    Volante desportivo S Line multifunções de 3 raios em pele com fundo plano e emblema S.
    Interior em alumínio com pedais e apoio para o pé esquerdo em aço inoxidável
    Embaladeiras das portas com logótipo S line.
    Logótipo S line sobre a cava das rodas dianteiras.

 
Pacote exterior S Line (€1785)

  • Pára-choques, grelhas frontais laterais e difusor traseiro com design desportivo.
    Barra integrada centralmente na parte inferior do pára-choques dianteiro e difusor traseiro na cor Cinzento Platina.
    Frisos das embaladeiras com logótipo S line.
    Logótipo S line sobre a cava das rodas dianteiras.
    Ponteiras de escape cromadas.

Pacote de couro (€465)
Pacote de luzes em LED (€300)
Retrovisor interior com anti-encandeamento automático (€295)
Sistema de navegação plus com MMI touch (€2250)

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