Os oceanos atingiram o seu nível mais quente de sempre em 2020, sobrecarregando os impactos climáticos extremos da emergência climática, de acordo com uma equipa de cientistas citada pelo ‘The Guardian’.
Mais de 90% do calor aprisionado pelas emissões de dióxido de carbono (CO2) é absorvido pelos oceanos, sendo este um sinal inegável da aceleração da crise. Os investigadores descobriram que os últimos cinco anos foram aqueles em que os oceanos registaram níveis mais quentes e que a taxa de aquecimento, a partir de 1986, foi oito vezes superior àquela entre 1960 e 1985.
Assim, segundo o jornal britânico, é provável que os oceanos estejam agora no seu ponto mais quente em cerca de mil anos e a aquecer cada vez mais rápido do que em qualquer altura nos últimos dois mil anos. Mares mais quentes oferecem mais energia às tempestades, tornando-as mais graves – prova disso foi o registo recorde de 29 tempestades tropicais no Atlântico em 2020.
Para além disso, oceanos mais quentes também perturbam os padrões das chuvas, causando cheias, secas e incêndios florestais. O calor provoca ainda a subida do nível do mar, com os cientistas a estimar um aumento de cerca de um metro até ao final do século, colocando 150 milhões de pessoas em perigo em todo o mundo.
Mas os impactos negativos não ficam por aqui. As águas mais quentes são menos capaz de dissolver dióxido de carbono. Atualmente, 30% das emissões de CO2 são absorvidas pelos oceanos, limitando o efeito de aquecimento da queima de combustíveis fósseis pela humanidade.
“O aquecimento do oceano é a métrica principal e 2020 continuou uma longa série de anos de quebra de recordes, mostrando a continuação inabalável do aquecimento global”, disse ao ‘The Guadian’, John Abraham, Professor da Universidade de St Thomas em Minnesota, EUA, e um dos membros da equipa por trás desta nova análise.
O responsável acrescentou: “Oceanos mais quentes sobrecarregam o clima, causando impacto negativo nos sistemas biológicos do planeta e também na sociedade humana. A mudança climática está literalmente a matar pessoas e não estamos a fazer o suficiente para impedi-la”.
Pesquisas recentes mostraram que as temperaturas mais altas nos oceanos também estão a prejudicar a vida marinha, com o número de ondas de calor oceânicas a aumentar drasticamente. Os oceanos cobrem 71% do planeta e a água pode absorver milhares de vezes mais calor do que o ar, razão pela qual 93% do aquecimento global é absorvido pelos oceanos.
“O facto de os oceanos atingirem outro novo nível recorde de aquecimento em 2020, apesar de uma queda recorde nas emissões globais de carbono, deixa claro que o planeta vai continuar a aquecer enquanto emitirmos carbono na atmosfera”, disse Michael Mann, professor da Penn State University e outro elemento da equipa, citado pelo jornal britânico.




