Os países ricos compraram doses suficientes de vacina contra a covid-19 para imunizarem as suas populações três vezes, mas os países em desenvolvimento estão a ser deixados para trás na corrida global para acabar com a pandemia, advertiu a People’s Vaccine Alliance.
Em 67 nações mais pobres, apenas uma em cada dez pessoas pode esperar receber uma vacina até ao final do próximo ano, afirmou a entidade – uma coligação entre a Oxfam e a Amnistia Internacional que defende o acesso equitativo e de baixo custo às vacinas.
Paralelamente, no mundo desenvolvido, a ‘corrida’ para garantir o fornecimento de vacinas começou logo nos primeiros meses da pandemia. Agora, estas nações, que representam apenas 14% da população mundial, já detêm mais de metade das vacinas mais promissoras contra a covid-19.
A People’s Vaccine Alliance apelou às empresas farmacêuticas a partilharem a sua tecnologia e propriedade intelectual com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Pediu também aos governos que se comprometessem a enviar vacinas para o mundo em desenvolvimento, a fim de colmatar a disparidade económica entre as nações, à medida que todas procuram emergir da crise da covid-19.
“Ninguém deve ser impedido de obter uma vacina que salve vidas por causa do país onde vive ou da quantidade de dinheiro que tem no bolso”, sublinhou a gestora de políticas de saúde da Oxfam, Anna Marriott, citada pela CNN.
“Mas a menos que algo mude drasticamente, milhares de milhões de pessoas em todo o mundo não vão receber uma vacina segura e eficaz contra o novo coronavírus nos próximos anos”, advertiu.
Na semana passada, o Reino Unido tornou-se a primeira nação a começar a vacinar os seus cidadãos com uma vacina totalmente testada e autorizada. Cerca de 96% das doses da vacina da Pfizer e BioNTech que o Reino Unido começou a administrar foram compradas por países ricos, disse ainda a People’s Vaccine Alliance. Da mesma forma, cada uma das doses da Moderna foi adquirida por países ricos.
Isto contrasta fortemente com a situação no mundo em desenvolvimento. A entidade identificou 67 países que estão em maior risco de ficarem isolados na luta contra a pandemia. Cinco deles – Quénia, Mianmar, Nigéria, Paquistão e Ucrânia – relataram mais de 1,5 milhões de casos de covid-19 juntos.










