O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, alertou esta sexta-feira para a probabilidade de não existirem vacinas suficientes para todos os grupos que foram definidos pelo Governo como prioritários no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19.
«Provavelmente, não vamos ter vacinas para cumprir as prioridades (…). Se tiver 100 mil, 200 mil ou 300 mil vacinas, não consegue responder àquelas prioridades que foram definidas», disse o responsável em declarações à TSF. «Os critérios de prioridade têm de ter definições um bocadinho mais apertadas», acrescentou.
Recorde-se que segundo o que foi ontem apresentado, numa primeira fase estimam-se que sejam vacinados 950 mil portugueses: pessoas com 50 ou mais anos e patologias mais frequentes nos casos graves da doença; residentes em lares e internados em unidades continuados, bem como os respetivos profissionais e, ainda, profissionais de saúde diretamente envolvidos (e forças de segurança).
Depois, numa segunda fase as vacinas serão alargadas a 1,8 milhões de pessoas, aqui estão incluídas pessoas com 65 ou mais anos e sem qualquer outra patologia e entre os 50 e os 64 anos, com alargamento das patologias pré-existentes, como diabetes, doença renal crónica, insuficiência hepática, obesidade, hipertensão, entre outras.
Miguel Guimarães refere à estação de rádio que falta informação aos médicos sobre esta matéria, eles que são essenciais no processo de vacinação. «É fundamental os médicos terem as informações completas sobre as vacinas. As informações disponibilizadas no plano são escassas», defende.
«Não temos nenhuma informação relativamente às complicações iniciais ou efeitos laterais das vacinas, nem sobre se existem contraindicações em algumas situações específicas», condena o bastonário considerando que esse tipo de dados são «essenciais», afirma à mesma publicação.
Miguel Guimarães lembra que «os médicos lidam com os doentes todos os dias e os doentes colocam-nos questões importantes sobre se devem vacinar-se, em função de determinadas características, e nós temos de ter toda a informação disponível para responder de forma correta, com base naquilo que é ciência».






