Asma alérgica: de fator de risco a ‘escudo’ na proteção contra a Covid-19

Ao contrário do que se pensava, o novo coronavírus está a infetar menos pessoas com asma do tipo alérgico, aponta estudo espanhol.

Mara Tribuna

Quem tem asma do tipo alérgico pode estar mais protegido do novo coronavírus, de acordo com um estudo que apurou ainda que apenas 3,2% dos doentes gravemente hospitalizados com Covid-19 tinham asma – uma prevalência inferior à da população em geral (6%).

Se no início da pandemia “pensávamos que as pessoas afetadas por doenças respiratórias estariam em alto risco, em abril começámos a ficar surpreendidos com o facto de tão poucos asmáticos serem admitidos nos hospitais”, explica o pneumologista Xavier Muñoz ao jornal espanhol El Mundo.

Assim, ao contrário do que se pensava, o novo coronavírus está a infetar menos pessoas com asma do tipo alérgico.

As primeiras publicações sobre o tema, vindas da China, Coreia e Nova Iorque, também não refletiam um grande número de casos em asmáticos. Desde então, vários estudos têm apontado o mesmo. Esta análise espanhola, publicada na revista ERJ Open Research, não só confirma a ideia como vai um pouco mais longe, determinando que tipo de asmático poderá estar um pouco mais protegido contra a covid-19.

A investigação foi realizada com os 71 pacientes asmáticos que tinham sido admitidos no Hospital Universitário de Vall d’Hebron, em Barcelona, com pneumonia de SARS-CoV-2, entre 1 de março e 30 de junho. Foram recolhidos dados sobre o fenótipo, tratamento seguido para a asma e gravidade da covid-19, que foram avaliados de acordo com as necessidades de oxigénio, suporte ventilatório e resultados da radiografia ao tórax.

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Na análise verificou-se que dos quatro fenótipos diferentes analisados o que parece estar mais protegido é o das pessoas com asma alérgica.

Isto significa que “é menos provável que apanhem covid-19 e, se o fizerem, a doença pode ser menos grave”, conclui Muñoz, o que não significa que “não tenham de se proteger ou baixar a guarda, porque podem adoecer e ficar doentes seriamente”. Só porque estão menos em risco não significa que isso não possa acontecer.

Por que razão este tipo de asma ‘protege’? Entre as hipóteses, afirma-se que “as células das pessoas com asma expressam em menor grau um recetor que está principalmente envolvido na entrada do vírus nas células”, explica o especialista. Quanto menos recetores, menor é a probabilidade de desenvolverem covid-19.

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Também poderá ser porque “a inflamação que ocorre na asma compete de alguma forma com a inflamação gerada pelo vírus e esta ‘competição’ faz com que o efeito de SARS-CoV-2 seja grandemente reduzido”.

É precisamente esta hipótese que está no centro da investigação espanhola. “Queremos verificar se a ‘competição’ das inflamações nos permite tirar algumas conclusões que poderiam ajudar no estudo de algum medicamento para a covid-19 na população em geral”, esclarece ainda o investigador.

Há também uma teoria de que o medicamento que os asmáticos tomam – cortisona inalada – poderá prevenir ou ajudar a tornar a covid-19 menos grave.

Ainda é preciso aguardar pelos resultados do estudo, mas tudo parece indicar que a asma não é um fator de risco para o desenvolvimento do novo coronavírus, pelo menos em pacientes hospitalizados com formas mais graves de infeção.

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