Quando o Presidente eleito, Joe Biden, fizer o juramento de posse a 20 de janeiro de 2021, vai herdar muitos dos problemas do mandato de Donald Trump. Embora uma vacina para a covid-19 possa estar pronta para uso inicial por essa altura, a pandemia vai continuar a ser um problema para o país que tem o maior número de infeções (10 milhões) e de óbitos em todo o mundo (238 mil).
De acordo com a Bloomberg, Biden deve começar a construir uma função pública moderna e dirigida por especialistas, e trazer o talento de volta para o ramo executivo. No total, são cinco as coisas que o Presidente eleito deve fazer para ‘reconstruir’ o governo e a América, após quatro anos de Donald Trump.
1. Capacitar os cientistas
A 9 de novembro, o Presidente eleito anunciou a criação de um conselho de especialistas sobre o novo coronavírus, composto por médicos, peritos em doenças infeciosas e antigos funcionários federais da saúde pública. Ao elevar as vozes científicas, Biden enviou um importante sinal de mudança.
Entre todas as falhas da administração Trump na gestão da pandemia, destaca-se o enfraquecimento dos cientistas governamentais, nomeadamente Anthony Fauci, um dos maiores especialistas em doenças infeciosas nos EUA.
Os funcionários da Casa Branca exerceram pressão sobre os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças e a Food and Drug Administration (autoridade reguladora do medicamento) para influenciar a orientação da saúde pública e acelerar os ensaios e o ritmo de aprovação das vacinas.
Trump desafiou os profissionais médicos e divulgou informações falsas sobre testes, taxas de mortalidade por covid-19 e alegadas “curas” para a doença. Isto aumentou a desconfiança e a credibilidade na ciência e saúde pública, o que por sua vez torna ainda mais difícil derrotar a pandemia. Neste sentido, Biden tem de voltar a capacitar os cientistas.
2. Trazer de volta profissionais de carreira
O esforço de Trump para desacreditar, marginalizar e remover profissionais de carreira tem sido eficaz. Só durante o primeiro ano da sua administração, a taxa de desgaste entre os membros do Serviço Executivo Superior – os funcionários mais experientes do governo – subiu 82%. Em comparação com os presidentes anteriores, Trump instalou um número elevado dos seus próprios nomeados em cargos de liderança em agências-chave, à custa de funcionários públicos qualificados.
No Departamento de Estado dos EUA, todos os cargos de secretário de estado adjunto são atualmente ocupados por funcionários em exercício ou nomeados políticos; mais de metade das embaixadas são ocupadas por nomeados políticos, em vez de diplomatas de carreira, quase o dobro da taxa média das administrações anteriores. Além de prejudicar o moral do pessoal, a confiança de Trump nos lealistas tem causado instabilidade institucional. Biden deve inverter esta tendência.
3. Deixar os watchdogs fazer o seu trabalho
Entre as decisões iniciais que o novo Presidente defronta está a investigação do seu antecessor. Independentemente da forma como Biden opte por tratar as alegações contra Trump, deverá tomar medidas para reforçar as regras em torno da divulgação financeira e transparência. E isso inclui definir e reforçar o papel correto da Casa Branca em relação às agências federais.
A nova administração deve deixar claro que vai submeter-se a uma supervisão rigorosa por parte do Congresso e dos watchdogs (guardiões) dentro e fora do governo. Pode subscrever legislação apoiada pelos democratas do Congresso que expande as proteções de informadores para os trabalhadores federais e protegê-los contra represálias.
4. Modernizar o governo
O governo federal de 2 milhões de pessoas cresceu ligeiramente sob Trump, mas apenas 6% dos trabalhadores têm menos de 30 anos, enquanto 44% têm 50 ou mais. Um terço dos trabalhadores será elegível para a reforma em 2023, e o número é duas vezes mais elevado para os membros do Serviço Executivo Superior.
De acordo com a Bloomberg, o governo pode ser modernizado através, por exemplo, da expansão dos programas de estágio, do recrutamento em campus universitários, atrair jovens talentos através de agências, etc. Os desafios enfrentados pela nova administração exigem uma mudança organizacional sistémica. Lidar eficazmente com as ameaças emergentes requer um tipo de força de trabalho diferente, mais ágil, refletindo ao mesmo tempo a diversidade do país.
5. Voltar a unir o mundo
O trabalho de reconstrução mais complexo que Biden espera é aquele em que concentrou grande parte da sua campanha: reparar a imagem global da América e reunir países com os mesmos interesses para se juntarem para resolver desafios comuns. Mas o panorama internacional será muito diferente do que era há quatro anos.
A hostilidade de Trump às organizações multilaterais e o desdém pelas alianças tradicionais deixaram os EUA mais isolados e menos influentes. Para lidar com a intensificação do conflito geopolítico, a ameaça de proliferação nuclear, e a emergência de uma China mais assertiva, os EUA terão de reforçar as suas relações em todo o mundo. No entanto, mesmo entre os aliados da América, quaisquer garantias que Biden dê serão tratadas com cautela após a volatilidade dos anos da Trump.




