Estima-se que perto de 25 milhões de pessoas sejam vitimas de trabalho forçado, também conhecido como escravatura moderna, na indústria da construção, a nível mundial. O número é apontado pela Grace Farms no relatório “Design for Freedom”, onde também é indicado que aproximadamente 152 milhões de crianças entre os 5 e os 17 anos são sujeitas a trabalho infantil.
Segundo a organização sem fins lucrativos, a sociedade tem uma obrigação moral e ética de pôr fim à exploração que subsidia os projectos de construção residencial e comercial que permitem esta prática em todo o Mundo. Embora a primeira imagem que venha à mente possa ser dos trabalhadores que erguem de facto os edifícios, o problema começa muito antes, logo na produção dos materiais necessários: madeira, tijolos, vidro, cobre e aço, por exemplo.
O mesmo relatório indica que os motivos por detrás da escravatura moderna vão desde dívidas a trabalho ordenado pelo próprio Estado. Há também quem seja coagido através de violência para desempenhar determinadas funções.
Outro relatório de 2017 já indicava que 18% do trabalho forçado acontece na indústria da construção, tanto directamente na construção como em sectores paralelos como minas e recolha de matérias-primas, segundo aponta a Fast Company.
Para tentar reverter estes números, a Grace Farms está a apelar a arquitectos e construtores para que tenham mais atenção às empresas que contratam e aos fornecedores que escolhem para parceiros. Designado “Design for Freedom”, o novo movimento ambiciona maior transparência na cadeia de valor desta indústria e o combate à escravatura moderna.
«Não é só alguém a trabalhar mais horas. É escravatura», garante Sharon Prince, CEO e fundadora da Grace Farms. «Estamos a criar um esforço concertado para que isso seja conhecido, para que haja responsabilização. Assim que sabem, não podem deixar de saber. É um nível diferente de responsabilização», afirma, citada pela mesma publicação.
A responsável adianta ainda que a tecnologia poderá ser parte da resposta para o problema, indicando que, no prazo de cinco anos, a indústria será abalada por novas tecnologias e métodos de produção que deverão conter desde raiz critérios éticos.














