A Organização Mundial do Comércio (OMC) está, a partir de hoje, sem líder, e assim seguirá por um período incerto, na sequência da decisão do seu diretor-geral, o brasileiro Roberto Azevêdo, de deixar o cargo um ano antes do fim do seu mandato para aceitar um convite de uma multinacional.
Azevêdo, eleito para presidir a OMC em 2013 e reeleito para um segundo mandato em 2017, deixa a organização naquele que é tido como o seu pior momento devido à sua capacidade limitada de concluir acordos que favoreçam o comércio global e pela tensão que vive na sua relação com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A OMC esteve à beira de ‘fechar portas’ no final de 2019 devido à relutância da Administração dos Estados Unidos em aprovar o seu orçamento, o que acabaria por fazer no último minuto, depois de salvaguardar alguns interesses na estrutura da organização que analisa processos.
Aos olhos dos analistas, esta instância tornou-se refém de Trump e está impedida de cumprir plenamente a sua função de resolução de disputas comerciais entre os países membros, uma vez que sua função é, em última análise, emitir decisões que os Estados estão obrigados a cumprir.
E é no seio desta estagnação institucional e má imagem que Azevêdo levou a decidir aceitar a oferta da multinacional Pepsi, empresa para a qual trabalhará a partir de amanhã, 1 de setembro.
Assumirá a função de vice-presidente executivo e chefe de assuntos corporativos e comunicação, cargo recém-criado que será lançado pelo brasileiro, engenheiro de formação e diplomata de carreira.
“A Azevêdo ficará encarregada de reforçar os esforços da PepsiCo nas relações com governos, órgãos reguladores, organizações internacionais e stakeholders não governamentais”, explica o comunicado da firma ao anunciar sua assinatura.
A vasta rede de contatos que Azevêdo conseguiu estabelecer durante seus sete anos à frente da OMC corresponde perfeitamente às funções que seu novo empregador lhe confiou e que ele espera poder cumprir confortavelmente com a lista telefônica que leva consigo.
A partir de hoje, o funcionamento da OMC vai depender dos seus quatro vice-diretores-gerais, que ficarão responsáveis pelas decisões nas respectivas áreas até a eleição de um diretor-geral, o que deve ocorrer até 7 de novembro, caso os Estados Unidos decidam apoiar este processo.













