Embora seja vista como uma solução de mobilidade sustentável e futurista, a tecnologia eléctrica aplicada aos automóveis parece ainda revestir-se de algumas dúvidas. A mais recente vem da própria Toyota, com um engenheiro de topo da marca nipónica a considerar que os automóveis eléctricos não oferecem uma alternativa viável para longas distâncias em comparação com os modelos movidos a combustíveis convencionais.
Segundo Yoshikazu Tanaka, engenheiro chefe do novo Toyota Mirai (veículo que recorre ao hidrogénio como combustível e cujo sucesso no Japão está a superar as expectativas da própria marca), mesmo que existam desenvolvimentos tecnológicos para acelerar o processo de carga dos veículos eléctricos, isso levantará outras dificuldades em termos energéticos.
“Se pudéssemos carregar um carro em 12 minutos para uma autonomia de 500 km, por exemplo, estaríamos a utilizar electricidade que seria suficiente para fornecer energia a 1000 casas. Isso vai completamente contra a necessidade de estabilizar a utilização de energia eléctrica na rede”, referiu Tanaka a um pequeno grupo de jornalistas de órgãos de comunicação seleccionados para ensaiarem a versão de produção do Mirai, de entre os quais se contava a Reuters, que cita o engenheiro.
“A Toyota não está a negar os benefícios dos veículos eléctricos. Mas cremos que a melhor forma de usá-los é carregando-os à noite e usá-los para curtas distâncias durante o dia”, acrescentou Tanaka, para quem a tecnologia da célula de combustível de hidrogénio (FCV) surge como uma alternativa credível e mais ecológica, contando com tempos de abastecimento e autonomia próximos aos dos automóveis convencionais.
A favor desta tecnologia, de acordo com aquele engenheiro, está a facilidade de extracção de hidrogénio e a maior facilidade de armazenamento em comparação com a electricidade. Por outro lado, a jogar contra, estão os custos necessários para a criação de estações de abastecimento específicas, pelo que será essencial chegar-se a um compromisso.
Deu o exemplo da cidade japonesa de Fukuoka, que no mês passado inaugurou uma estação de abastecimento de hidrogénio extraído a partir dos desperdícios de esgotos, com capacidade para ‘alimentar’ cerca de 70 Mirai por dia. E terminou com uma analogia curiosa, comparando o seu Mirai com o DMC DeLorean do filme Regresso ao Futuro que tinha como o lixo como combustível.
“Lembram-se do filme ‘Regresso ao Futuro’? Nesse, um carro vinha de 30 anos mais à frente para o presente – 1985. O Mirai não voa, mas este ano, 2015, é esse futuro”.]]>
Engenheiro da Toyota duvida da viabilidade dos eléctricos para longas-distâncias
Embora seja vista como uma solução de mobilidade sustentável e futurista, a tecnologia eléctrica aplicada aos automóveis parece ainda revestir-se de algumas dúvidas. A mais recente vem da própria Toyota, com um engenheiro de topo da marca nipónica a considerar que os automóveis eléctricos não oferecem uma alternativa viável para longas distâncias em comparação com os modelos movidos a combustíveis convencionais. Segundo Yoshikazu Tanaka, engenheiro chefe do novo Toyota Mirai (veículo que recorre ao hidrogénio como combustível e cujo sucesso no Japão está a superar as expectativas da própria marca), mesmo que existam desenvolvimentos tecnológicos para acelerar o processo de carga dos veículos eléctricos, isso levantará outras dificuldades em termos energéticos. “Se pudéssemos carregar um carro em 12 minutos para uma autonomia de 500 km, por exemplo, estaríamos a utilizar electricidade que seria suficiente para fornecer energia a 1000 casas. Isso vai completamente contra a necessidade de estabilizar a utilização de energia eléctrica na rede”, referiu Tanaka a um pequeno grupo de jornalistas de órgãos de comunicação seleccionados para ensaiarem a versão de produção do Mirai, de entre os quais se contava a Reuters, que cita o engenheiro. “A Toyota não está a negar os benefícios dos veículos eléctricos. Mas…
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