A Síria está a acusar o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de roubar o petróleo do país, depois de as autoridades americanas terem confirmado que uma empresa americana foi autorizada a operar no seu território, em campos sob o controlo de uma milícia apoiada pelo Pentágono.
Segundo a ‘Newsweek, em representação da missão permanente na Síria das Nações Unidas, Bashar al-Jaafari disse ao Conselho de Segurança da ONU que “as forças de ocupação dos EUA, sem o esconderem das Nações Unidas e da comunidade internacional, deram um nova passo no sentido de ‘saquear’ os recursos naturais da Síria, incluindo petróleo e gás, através da recente criação da empresa ‘Crescent Delta Energy'”.
Esta empresa, “com o patrocínio e apoio da Administração dos Estados Unidos, firmou contrato com a chamada milícia ‘Forças Democráticas da Síria / SDF’, agente das forças de ocupação dos Estados Unidos no nordeste da Síria, com o objetivo de roubar a Síria petróleo, e de privar o estado sírio e o povo sírio das receitas básicas necessárias para melhorar a situação humanitária, as necessidades de subsistência e reconstrução”, acrescentou.
O diplomata sírio salientou ainda que Trump já havia revelado as suas intenções, numa conferência no final de outubro passado, na qual afirmou que estava a tentar “fazer um acordo com uma ExxonMobil ou com uma das nossas grandes empresas” para obter petróleo na Síria.
Polémico, Trump já afirmou que “adora” petróleo e que está envolvido militarmente na Síria “apenas pelo petróleo”. Em simultâneo, a sua equipa insiste em transmitir ao mundo que o foco principal do Pentágono é combater o Estado Islâmico (ISIS).
A notícia de um acordo sobre a exploração de petróleo fechado entre os EUA e o SDF, uma força principalmente curda com a tarefa de combater o ISIS no terreno, surgiu no final do mês passado, altura em que o secretário de Estado Mike Pompeo testemunhou perante o Senado.
Questionado se os EUA apoiavam esse acordo, o alto diplomata americano disse: “Nós apoiamos”. “O negócio demorou um pouco mais do que esperávamos e, agora que estamos em implementação, mas pode ser muito poderoso”, disse Pompeo.
O assunto voltou à ordem do dia durante uma conferência de imprensa, esta quarta-feira, com James Jeffrey, o representante especial dos EUA para a Síria e enviado especial para a campanha contra o ISIS. Embora se tenha recusado a discutir os detalhes dos contratos de negócios privados, disse que os EUA têm “a responsabilidade de considerar se as licenças devem ser emitidas para permitir que as empresas americanas conduzam atividades económicas que, de outra forma, poderiam ser sancionadas”.
“Isso é algo que fizemos, inclusive neste caso”, disse, negando que os EUA estivessem “envolvidos nas decisões comerciais de nossos parceiros locais no nordeste da Síria”.
“Não fizemos nada além de licenças relacionadas com esta empresa”, acrescentou. “O petróleo sírio é para o povo sírio e continuamos comprometidos com a unidade e integridade territorial da Síria. O governo dos Estados Unidos não possui, controla ou administra os recursos petrolíferos na Síria”, concluiu.
Os Estados Unidos há muito enfrentam acusações de que as suas intervenções no Médio Oriente estão ligadas à aquisição ou controlo de recursos energéticos.













