A presença da Covid-19 em superfícies e alimentos é um dos campos de batalha das pesquisas sobre a doença viral. Contudo, novas descobertas originam uma outra questão: será que o vírus pode transmitir-se através de alimentos congelados?
Na China, esta pergunta ainda não tem uma resposta clara. No fim de semana, depois de encontrar amostras suspeitas da Covid-19 em embalagens de asas de frango congeladas importadas do Brasil, o país proibiu a importação de produtos congelados nas áreas de maior risco
A medida, também partilhada por Hong Kong, põe em causa a aparente segurança que existia quanto ao conhecimento do comportamento do vírus nas superfícies e alimentos.
Embora seja verdade que as certezas em relação à doença variam ao longo dos meses, os especialistas não as têm todas consigo. Muitos acreditam que o contágio é possível, já que o vírus pode sobreviver em ambientes frios, como câmaras frigoríficos, mas consideram que as circunstâncias de contágio são tão específicas que tornam o risco de contrair o coronavírus muito residual, segundo o ‘elEconomista’.
É o que pensa Benjamin Cowling, director de epidemiologia da Universidade de Hong Kong, que descreve o risco como «muito baixo». O cientista afirma, citado pelo ‘elEconomista’ que esta é uma forma rara de transmissão, embora seja possível que o vírus, depois de congelado, chegue às mãos de uma pessoa e, a partir daí, à boca ou ao nariz.
Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que lidera as recomendações contra o vírus, é prudente. O director regional para o Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai, afirma que «até agora as observações ou as evidências dos últimos sete meses de epidemiologia são improváveis».
Zhong Nanshan, um dos principais assessores da China na luta contra o coronavírus, segue a mesma linha de pensamento: «É relativamente raro. «O especialista defende que não se deve exagerar diante de um aspecto do vírus sobre o qual, por enquanto, ainda não existem certezas.
Uma das linhas de pesquisa é a que procura esclarecer a carga viral que o coronavírus possui quando sobrevive ao processo de congelamento dos alimentos. Sarah Cahill, responsável por normas alimentares do Codex Alimentarius, afirma que é vital saber com certeza se o vírus que se detecta nas superfícies dos recipientes ou nos alimentos é perigoso o suficiente ou, pelo contrário, chega a esse estágio sem carga viral.
O plástico é um dos materiais nos quais o vírus dura mais tempo. Segundo a OMS, o vírus permanece no plástico durante cerca de 72 horas, mais tempo do que em cartão ou cobre. A agência recomenda como precaução, lavar as mãos com sabonete ou gel desinfectante sempre que algum desses produtos for manipulado.




