Recentemente, a China deu conta de vários casos de embalagens de alimentos congelados contaminadas com o novo coronavírus, enquanto que a Nova Zelândia referiu estar a investigar a possibilidade de que o surto que invadiu o país, possa estar relacionado com cargas importadas. Mas o que é que sabemos realmente sobre a transmissão através destes objectos?
Alguns estudos sugerem que o vírus pode permanecer em embalagens, entre horas a dias, dependendo do material em questão, bem como da temperatura e da humidade, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Sabe-se ainda que o vírus pode permanecer entre quatro a cinco dias em superfícies de plástico ou papel.
Não existe actualmente nenhuma evidência de que as pessoas possam ser contagiadas com a Covid-19 através de alimentos ou das suas embalagens, de acordo com a OMS, sustentada também pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e por outras agências governamentais. Os coronavírus não conseguem multiplicar-se na comida, uma vez que necessitam de um animal vivo ou de um hospedeiro humano para se desenvolverem e sobreviverem.
Visto que o novo coronavírus não se desenvolve através de alimentos ou embalagens, a única forma de o patógeno se tornar gradualmente mais fraco é fora de uma célula viva, segundo Jin Dong-Yan, professor de virologia da Universidade de Hong Kong, citado pela ‘Reuters’.
O especialista não descartou, contudo, que uma pessoa pudesse espalhar gotículas com cargas virais em alimentos, ou num pacote, levando outra, que toque no material contaminado e, em seguida, na boca ou nariz, a contrair o vírus. Mas tal situação parece rara de acontecer, segundo Dong-Yan.
A infecção por contacto com um vírus congelado, através de alimentos importados, «ainda não deve ser considerada uma das principais vias de infecção e ainda não é um evento que deva afectar substancialmente a política de saúde pública», defende Eyal Leshem, director do Centro de Viagens, Medicina e Doenças Tropicais de Sheba em Israel, citado pela ‘Reuters’.
Por sua vez, Jacob John, especialista de virologia na Índia, afirma que «o número de partículas virais que saem da boca ou do nariz de uma pessoa é muito maior do que algumas partículas que permanecem em alimentos congelados». O responsável acrescentou: «Entre todos os riscos, acho que estes são riscos muito baixos».













