O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, apresentou oficialmente a sua demissão, esta segunda-feira, culpando os «políticos corruptos» pelo caos no país, de acordo com a imprensa internacional.
Numa breve conferência de imprensa, Diab disse que a explosão que abalou Beirute na semana passada foi causada pela «corrupção endémica» que impregnou a política libanesa durante anos». O responsável admitiu assim «dar um passo atrás», para que seja possível estar com as pessoas «e lutar pela mudança ao lado delas».
«Declaro hoje a renúncia deste governo. Que Deus proteja o Líbano», disse Diab, que culpou os políticos corruptos que o precederam pelo «terramoto» que atingiu o país. «Deviam (a classe política) ter vergonha de si mesmos, porque a sua corrupção conduziu a este desastre que esteve escondido durante sete anos», acrescentou.
BREAKING: "I declare today the resignation of this government."
Lebanon's PM Hassan Diab announces the resignation of his gov't amid anger over the Beirut blast.
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— Al Jazeera English (@AJEnglish) August 10, 2020
A decisão da demissão de Diab já tinha sido anunciada pelo governo do país esta segunda-feira, com o responsável a confirmá-la horas depois numa conferência de imprensa que sucedeu à reunião com o executivo. Durante a reunião, «a maioria dos ministros pediu ao governo que renuncie», disse a ministra do Desporto e Juventude, Vartine Ohanian, à AFP.
A demissão do executivo está relacionada com as explosões no passado dia 04 no porto de Beirute, que provocaram pelo menos 158 mortos e cerca de 6.000 feridos, e ainda na sequência das acusações de corrupção que levaram a uma crise económica sem precedentes e também à má gestão da pandemia de covid-19.
Antes do início da reunião do Governo, quatro ministros tinham já apresentado a demissão.
Domingo, demitiram-se a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, e o do Ambiente e do Desenvolvimento Administrativo, Damiamos Kattar, e, já hoje, a da Justiça, Marie-Claude Najm, e o das Finanças, Ghazi Wazni.
Além do Governo, pelo menos nove deputados do Parlamento libanês também apresentaram a demissão.
As explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num depósito no porto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, deixaram também cerca de 300.000 pessoas desalojadas.
As explosões viram também alimentar a revolta de uma população já mobilizada desde o outono de 2019 contra os líderes libaneses, acusados de corrupção e ineficácia.
De acordo com o último balanço feito pelas autoridades de saúde do Líbano, registam-se «pelo menos 20 desaparecidos», numa altura em que as buscas pelos escombros continuam a acontecer. Para além disso, o Ministério da Saúde dá conta de seis mil feridos e mais cinco mortes, resgatados recentemente.
Com a renúncia do actual governo, o Líbano terá o seu terceiro primeiro-ministro no espaço de um ano. O próprio Hassan Diab ocupava o cargo há menos de um ano, tendo assumido a liderança do governo somente em Dezembro do ano passado.
Este fim de semana, Beirute foi palco de protestos de vários pessoas a pedir a renúncia do governo e responsabilização das autoridades pela explosão e pela crise. Houve confrontos entre policia e manifestantes e alguns prédios públicos chegaram a ser ocupados.






