Polícia dos EUA recorreu a força excessiva pelo menos 125 vezes após a morte de George Floyd

O número é apontado pela Amnistia Internacional, que documentou casos ocorridos entre 26 de Maio e 5 de Junho.

Executive Digest

Nos 10 dias que se seguiram à morte de George Floyd após ter sido sufocado por um polícia durante cerca de nove minutos, as autoridades norte-americanas terão recorrido a força excessiva em pelo menos 125 ocasiões. O número é apontado pela Amnistia Internacional, que documentou casos ocorridos entre 26 de Maio e 5 de Junho.

«A desnecessária e por vezes excessiva utilização de força por parte da polícia contra os manifestantes mostra o mesmo racismo sistémico e impunidade que os levou à rua para protestar», afirma Ernest Coverson, responsável pelo departamento de violência armada da Aministia Internacional.

Os casos mencionados por esta organização num relatório de 68 páginas com entrevistas a mais de 50 pessoas que participaram nos protestos do movimento Black Lives Matter apontam para diferentes tipos de violência – desde utilização de gás pimenta sem motivo a agressões físicas ou disparos indiscriminados de balas consideradas “menos letais”. O relatório sugere que a polícia recorre este tipo de medidas como primeiro recurso, em vez de último como seria mais indicado.

Na opinião de Justin Mazzola, investigador da Amnistia Internacional, as acções de Donald Trump representam um passo em direcção ao autoritarismo e devem, por isso, ser impedidas. «Precisamos de uma abordagem nacional para que o policiamento dos protestos seja alterado desde a raiz», aponta o mesmo responsável citado pelo Business Insider, lembrando que a estratégia não deve ser mudada apenas estado a estado.

A Amnistia Internacional propõe que a força letal surja apenas quando necessário e como forma de protecção de uma ameaça imediata de morte ou ferimento grave. Todos os anos, mais de mil pessoas morrem às mãos da polícia norte-americana, sendo que deste total cerca de um quarto corresponde a cidadãos negros.

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