Alemanha treina evacuação de soldados feridos da NATO em caso de guerra com a Rússia

Operação integra o exercício Medic Quadriga, descrito pelas Forças Armadas alemãs como o maior e mais complexo treino médico militar realizado desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022

Francisco Laranjeira

A Alemanha está a realizar exercícios militares destinados a testar como transportar soldados feridos do flanco oriental da NATO para hospitais alemães em caso de conflito. O treino faz parte da manobra Quadriga e inclui a simulação de toda a cadeia de evacuação médica desde a zona de operações na Lituânia até ao tratamento em hospitais na Alemanha, relata a ‘Euronews’.

Num dos exercícios realizados junto ao aeroporto de Berlim-Brandeburgo, um avião Airbus A400M da Força Aérea alemã regressou de uma missão simulada na Lituânia, onde está destacada a 45ª Brigada de Tanques alemã, responsável por reforçar a defesa da NATO naquela região.



Durante a simulação, paramédicos retiraram um soldado ferido pela rampa traseira da aeronave e entregaram-no às equipas de emergência das organizações Johanniter e Malteser. A partir daí, o militar foi registado e encaminhado para tratamento em território alemão.

O maior exercício médico militar desde 2022

A operação integra o exercício Medic Quadriga, descrito pelas Forças Armadas alemãs como o maior e mais complexo treino médico militar realizado desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022.

O objetivo é testar toda a cadeia de resgate militar — desde os primeiros socorros no teatro de operações até ao transporte e tratamento hospitalar na Alemanha — e reforçar a cooperação entre militares e serviços civis de emergência.

Cerca de 1.250 pessoas participaram no exercício, incluindo aproximadamente 1.000 militares e 250 profissionais de organizações civis, entre elas a Cruz Vermelha Alemã, a Sociedade Alemã de Salvamento, o ADAC-Luftrettung e o Serviço Federal de Proteção Civil.

Segundo a ‘Euronews’, o voo que deveria transportar feridos simulados da Lituânia para Berlim acabou por ser cancelado devido à atual situação de segurança no Médio Oriente, uma vez que a aeronave utilizada no exercício foi colocada em estado de prontidão operacional.

Comboios podem ser usados para evacuar feridos

Além do transporte aéreo, a Alemanha estuda também utilizar comboios médicos para evacuar feridos em cenários de conflito.

O médico-chefe do Estado-Maior alemão, Ralf Hoffmann, explicou que o objetivo é ter comboios preparados para esse tipo de operação até 2028. O exemplo da guerra na Ucrânia demonstrou que a via ferroviária é um dos meios mais eficazes para transportar pacientes em zonas de combate, onde cerca de 90% das evacuações médicas são feitas por comboio.

Preparação para cenários de grande escala

Os responsáveis militares alemães estimam que, num eventual conflito no flanco oriental da NATO, cerca de mil soldados feridos por dia poderiam ter de ser transportados para a Alemanha.

Segundo Hoffmann, isso exigiria cerca de 15 mil camas hospitalares disponíveis no sistema de saúde para garantir o tratamento dos militares evacuados.

O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, que visitou o exercício, classificou a iniciativa como um “teste de stress estratégico conjunto” e sublinhou a importância do treino em tempo de paz.

“Só se pode fazer aquilo que se pratica. E só o que se treina em tempos calmos pode ser dominado em tempos de tensão e defesa”, afirmou.

Alemanha como centro logístico da NATO

Estes exercícios fazem parte de uma estratégia mais ampla definida no Plano Operacional da Alemanha (OPLAN DEU), que prevê que o país se torne um centro logístico fundamental da NATO em caso de guerra.

Segundo este plano, até 800 mil soldados da Aliança Atlântica poderiam ser deslocados através do território alemão para reforçar o flanco oriental.

No entanto, a implementação do plano enfrenta desafios logísticos significativos, incluindo infraestruturas envelhecidas, pontes degradadas e limitações na cooperação entre entidades militares e civis.

Apesar dessas dificuldades, a Alemanha continua a preparar-se para desempenhar um papel central na resposta da NATO a eventuais crises ou conflitos no leste da Europa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.