Em Portugal, o indicador Ro (número médio de contágios causados por cada pessoa infetada) relativo à covid-19 estará perto dos 0,87 (média nacional) e na região Norte já terá baixado de 1. Este foi o foco da reunião das figuras do Estado, líderes partidários, técnicos da Direção Geral de Saúde (DGS) e especialistas do Instituto Ricardo Jorge, no auditório do Infarmed, em Lisboa, noticia o Expresso.
Nesta reunião, na qual os técnicos alertaram que “a outra barreira que importa atingir agora é um Ro de 0,7”, também os especialistas se estrearam a preparar cenários de regresso à normalidade, mostrando que mesmo os epidemiologistas estão de acordo de que é preciso deixar, gradualmente, o confinamento.
Porquê o Ro de 0,7?
Foi a partir da barreira do Ro de 0,7 que a Noruega começou a levantar as medidas de restrição e um dos países que, apurou o Expresso junto de fontes que participaram na reunião, foi mais citado pelos especialistas quando traçaram alguns cenários futuros.
A importância do valor 0,7 assenta no facto de oferecer mais garantias de que o aumento do número de novos casos, para muitos uma situação inevitável nos tempos que se seguirem, “será suportável e que o número de pessoas a dar entrada nos hospitais será controlável. Até lá, e esse é um dado adquirido, não há margem para levantar o estado de emergência, alertaram os mesmos especialistas”, detalha o Expresso.
Também foram abordadas as estratégias definidas pela Áustria, República Checa, Dinamarca, Espanha, Itália ou França, exemplos a seguir no que às melhores práticas internacionais diz respeito e assim perceber o efeito que o levantamento terá na evolução da pandemia
Será a vigilância o novo tabu?
Outro tema em foco nesta reunião, sabe o Expresso, foi o recurso à tecnologia e aos dados das operadoras com o objetivo de controlar a circulação e os contactos das pessoas infetadas. Esta é uma matéria fraturante, divide os partidos políticos e, para os especialistas de saúde, seria positivo.
Segundo o Expresso, este assunto não está totalmente encerrado.O Governo aproveitou as questões colocadas pelos líderes partidários e sublinhou a componente jurídica da medida e recordou o histórico das decisões do Tribunal Constitucional sobre metadados. Nesta reunião, apurou ainda, “foi dito com insistência, que será sempre necessário encontrar um sistema de vigilância robusto para se detetar rapidamente novos casos e tratá-los adequadamente”.




