O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta sexta-feira que a Ucrânia e os seus parceiros internacionais concluíram cerca de 90% de um plano de 20 pontos destinado a pôr fim à guerra com a Rússia, sinalizando avanços significativos antes de um encontro de alto nível com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o ‘Kyiv Post’, Zelensky confirmou que se vai reunir com Trump já este domingo, num encontro que deverá decorrer em Mar-a-Lago, na Flórida, e indicou que equipas ucranianas e internacionais já prepararam versões preliminares de documentos considerados centrais para um eventual acordo, incluindo garantias de segurança e planos para a reconstrução do país no pós-guerra.
“Para ser honesto, o plano de 20 pontos em que temos trabalhado está 90% pronto. A nossa tarefa é levá-lo a 100%. Cada reunião e cada conversa aproximam-nos do resultado desejado”, afirmou o presidente ucraniano, em declarações feitas através do WhatsApp.
De acordo com fontes diplomáticas em Washington citadas pelo ‘Kyiv Post’, o encontro deverá ter lugar na residência privada de Trump, em Mar-a-Lago. Questionado sobre o conteúdo dos documentos em preparação, Zelensky destacou as garantias de segurança e os acordos económicos, embora tenha admitido que estes últimos ainda se encontram numa fase preliminar.
O presidente ucraniano afirmou ainda que não é certo que todas as matérias possam ser fechadas durante as conversações na Florida. Ainda assim, sublinhou que Kiev pretende colocar em cima da mesa todas as divergências existentes, incluindo questões territoriais e disposições relacionadas com a NATO.
Zelensky reconheceu esta semana que persistem diferenças entre Kiev e Washington, mas revelou que a versão mais recente do plano inclui concessões relevantes para a Ucrânia. Entre elas estão o congelamento da atual linha da frente e a eliminação de qualquer exigência de que a Ucrânia abdique formalmente da sua candidatura à NATO.
O plano abre também a possibilidade de uma retirada parcial das forças ucranianas no leste da região de Donetsk e a criação de uma zona desmilitarizada, cenários que Kiev se mostrava relutante em aceitar em fases anteriores das negociações.
Apesar dos contactos diplomáticos intensificados, Zelensky sublinhou que não existem negociações diretas com Moscovo. Os Estados Unidos estão a atuar como intermediários e aguardam uma resposta oficial do Kremlin à última proposta apresentada. Segundo o presidente ucraniano, essa resposta poderá ser conhecida nos próximos dias.
Na sexta-feira, o Kremlin confirmou que o assessor de política externa Yuri Ushakov manteve uma conversa telefónica com responsáveis norte-americanos sobre o processo negocial, sem adiantar pormenores. Até agora, Moscovo tem mantido exigências territoriais consideradas inaceitáveis por Kiev, incluindo a retirada total da Ucrânia do leste do Donbass, o abandono das aspirações à NATO e a rejeição de missões de paz com tropas ocidentais.














