A análise de Luís Ribeiro, Administrador do novobanco
Os resultados do Barómetro traduzem a posição relativamente favorável que a economia portuguesa ocupa actualmente no contexto europeu mas, também, os desafios que enfrenta. O crescimento esperado para 2025, acima da média da Zona Euro, é possível não só devido ao bom desempenho do turismo mas, também, devido ao equilíbrio macroeconómico e financeiro alcançado, com excedentes nas contas públicas e externas. Estes possibilitam uma melhoria das condições de financiamento do Estado e das empresas que, em última análise, beneficiam as famílias, por via de apoios orçamentais, de uma evolução robusta do emprego e do aumento do seu rendimento disponível. É positivo que uma larga maioria das empresas inquiridas mostre confiança em relação ao seu desempenho financeiro no próximo ano. Em conjunto com este facto, a esperada aceleração da execução dos fundos europeus, sobretudo ligados ao PRR, deverá traduzir-se numa expansão do investimento das empresas. Mas este quadro relativamente favorável não pode trazer complacência. Por um lado, a economia mundial e, em particular, a economia europeia, enfrentam riscos elevados em 2025, com um clima de incerteza política em alguns países, com as incógnitas em torno das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, e com eventuais “guerras comerciais” com os EUA e a China. Por outro lado, para a economia portuguesa conseguir sustentar um crescimento virtuoso e acima da média, deverá manter-se focada em obter ganhos de produtividade e de competitividade, captando investimento e promovendo as exportações, dando prioridade à inovação, à atracção e retenção de capital humano e ao investimento produtivo.
Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 225) da Executive Digest, no âmbito da XXXIX edição do seu Barómetro.




