XXV Barómetro Executive Digest: Nelson Pires, Jaba Recordati

A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Executive Digest

A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Foi bastante agradável consultar o barómetro e verificar que a maioria dos líderes espera um crescimento do negócio quando comparado com ano anterior e que só 19% esperam manter ou cair no volume de negócios, sendo que os restantes 81% estimam crescer (e 52% até crescer mais do que 10%). Mas existem preocupações, e o que preocupa os empresários e líderes (54%) é a variação da procura (diminuição claro) face ao mundo BANI que vivemos com uma endemia e um conflito na Europa. Em que a poupança feita durante a pandemia se está a esgotar. A taxa de poupança fixou- -se em 12,6% em 2020, 10,9% em 2021, mas já recuou para 8,3% no primeiro trimestre de 2022, com o aumento do consumo. Outro ponto relevante, menos positivo (do que o aumento do consumo), foram os aumentos dos custos das organizações em 55%. Embora não seja este o maior desafio empresarial, mas outro realmente surpreendente apresentado pelos líderes. Não se trata da rentabilidade ( 39% das empresas) ou a gestão da cadeia de abastecimento (23% das organizações), mas sim a atracção e retenção do talento. Ou seja quando avaliamos o acrónimo PPP (Produtos, Processos e Pessoas) que nos pode trazer valor acrescentado, eficiência e rentabilidade, o “P” das pessoas é o maior desafio empresarial para 64% dos líderes. Talvez porque o mercado de trabalho português se tornou pouco atractivo há muito tempo, as novas formas de trabalho permitem procurar novas oportunidades noutros países e as lideranças são pouco líderes e inovadoras. Esta preocupação e desafio talvez seja empolada pelo facto dos líderes esperarem que (para além do turismo) sejam os centros tecnológicos (57%) e de serviços (48%) o motor da economia futura. E nestes sectores, as pessoas são fundamentais. Finalmente em relação ao que esperam do estado e da governação, no futuro: 73% maior competitividade e estabilidade fiscal, 41% uma melhoria dos serviços críticos do estado e 25% a flexibilidade da legislação laboral. Ou seja, que o estado não “estorve” e faça apenas o seu trabalho. O que me parece muito positivo, pois uma economia que espera que o estado tudo faça e “estado-dependente” é um “default” estratégico no médio prazo.



Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 197) da Executive Digest, no âmbito da XXV edição do seu Barómetro.

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