A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
As empresas, segundo o barómetro, suportaram-se (84,62%) na tecnologia para superar a pandemia e as suas consequências. Mas não encontraram, de forma generalizada, na tecnologia a solução para o futuro. Mesmo inclusive quando muitas já estão a implementar o plano pós-COVID que tinham desenvolvido (61,54%). Ou seja o mundo vai continuar a ser “human with a digital touch”, como sempre referi. A inteligência artificial não vai substituir o ser humano, a integração de sistemas não vai superar a rapidez e intuição da decisão humana, mas apenas suportá-la e torná-la mais objectiva. Outro ponto importante para uma economia como a portuguesa, é o receio de limitação das exportações ser muito baixo (46,15%). A nossa balança comercial e o nosso tecido produtivo dependem disso, mesmo quando a TAP (um dos grandes exportadores do país) sofre uma contração que terá de ser compensada por outros negócios. Finalmente reforço a pouca confiança dos empresários nas medidas de recuperação da crise. Talvez seja uma falha de comunicação, provavelmente é. Mas o facto é que muito poucos empresários vêem os seus negócios beneficiados pelas medidas a serem tomadas. Talvez por isso, cerca de metade das empresas vai actuar como no pico da crise (trimestre quatro de 2020) e manter o nível de investimento deste último trimestre (48,72%). Mas a confiança dos empresários é baixa, mesmo sem razão sustentada pois estamos a crescer acima do estimado no trimestre dois de 2021. Ou seja não há estímulo para o investimento interno e o directo estrangeiro. E a falta de investimento gera “esclerose de conhecimento, inovação e económica” que prejudica Portugal de forma substancial!
Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 187) da Executive Digest, no âmbito da XX edição do seu Barómetro.




