A análise de Raul Neto, CEO da Randstad Portugal
Os resultados deste Barómetro reforçam as tendências já identificadas anteriormente. Num contexto global incerto, 82% dos gestores prevêem um crescimento moderado no seu setor de atividade, o que não limita a necessidade de investimento identificada pela maioria das empresas (56% planeia aumentar o seu investimento em 2026).
Estes números revelam organizações que identificam a criticidade na aposta tecnológica de forma inequívoca: 54% tencionam investir mais em Inteligência artificial este ano e 16% vão continuar a investir fortemente.
Contudo, os verdadeiros desafios não residem apenas na capacidade financeira para investir, ou na evolução tecnológica, mas também de dois outros fatores fundamentais. E se o primeiro é exógeno ao tecido empresarial como é demonstrado por 78% dos inquiridos a considerarem o peso do Estado na economia como “elevado” ou “excessivo”, o segundo demonstra a consciencialização dos gestores da necessidade das suas empresas estarem focadas na preparação do capital humano, que será a sustentação do futuro. É revelador que, ao projetarmos as prioridades para os próximos 10 anos, a “Educação e Competências” (64%) surja destacada como o segundo pilar mais crítico para o desenvolvimento de Portugal. Isto valida uma premissa fundamental: a “Economia do Futuro” — prioridade para 48% dos gestores — não se faz por decreto, nem apenas com software.
Para 2026, é crítico garantir que o investimento em IA seja acompanhado, passo a passo, por uma estratégia robusta de qualificação e requalificação. A tecnologia é o motor, mas o talento é o combustível. Só com este equilíbrio deixaremos de ter uma preparação “moderada” para alcançarmos a competitividade sustentável que ambicionamos.
Testemunho publicado na edição de Fevereiro (nº. 239) da Executive Digest, no âmbito da XLVI edição do seu Barómetro.







